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“…o foco equivocado da sociedade que privilegia fofocas, desastres, notícias negativas e crimes…”

 

As redes sociais são consideradas instrumentos democráticos de inserção das pessoas nos meios de informação e também para a livre expressão do pensamento e da manifestação da opinião. Entretanto, como é visto e sabido pela grande maioria, a utilização das ferramentas criadas e disponibilizadas à sociedade, graças à maior e crescente abrangência da internet, cuja oferta pelas redes disponíveis, por mais estranho que pareça, já supera as ligações de esgoto, não consegue atingir os objetivos para os quais foram idealizadas. A utilização para crimes, difamação, pornografia, pedofilia e, principalmente, ofensas morais e ameaças, superam o uso saudável.

Os instrumentos virtuais de forte abrangência, que poderiam servir para unir as pessoas em torno de causas de interesse coletivo como o combate à corrupção, a formação de redes de proteção contra furtos e roubos e as correntes de atendimento a entidades assistenciais e a pessoas em estado de necessidade, acabam servindo aos interesses dos desonestos. A produção de notícias falsas, as chamadas fake news, que servem muito mais à desinformação para o grande número de pessoas com pouca capacidade de discernimento das notícias e até mesmo de interpretação de textos, são os piores exemplos.

Além de causar forte poluição no noticiário profissional, aquele produzido por órgãos independentes, autônomos e isentos, o acesso indiscriminado na comunicação social por meio das redes virtuais mostra também o foco equivocado da sociedade que privilegia fofocas, desastres, notícias negativas e crimes, em detrimento à cultura e ao conhecimento. Diante desta busca coletiva pelo negativismo, que garante mais audiência, proliferam os sites e os blogs que se propõem a oferecer a notícia rápida e nem sempre verdadeira, mas muito bem renumerada por patrocinadores.

Considerando que a sociedade e os meios de comunicação devem se ater mais aos fatos reais, identificar suas motivações e prevenir suas consequências, é preciso muito mais foco em informações verdadeiras, concretas e completas e com a fundamentação que se consegue por meio de fontes confiáveis. Entretanto, grande parte dos usuários das redes sociais prefere focar os acontecimentos menos relevantes e mais sensacionalistas, sem usar a tecnologia a favor da melhor informação e do conhecimento que traz conteúdo. Em vez de manter o foco no fato, o internauta invariavelmente se atém ao supérfluo indecoroso.

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