O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas assinou nesta segunda-feira, 8 de junho, a exoneração do delegado de Polícia Vinícius Martinez, que responde a processo relacionado à morte da adolescente Katrina Bormio Silva Martins, de 16 anos. A decisão encerra a permanência do policial nos quadros da Polícia Civil paulista e representa mais um desdobramento de um dos casos de maior repercussão do Estado nos últimos anos.
Por meio de seu advogado, Ernesto Nóbile, a defesa informou que irá recorrer ao Tribunal de Justiça de São Paulo em busca da anulação da medida e da recondução de Vinícius Martinez ao cargo. A reação da defesa foi de forte indignação. Segundo Nóbile, a exoneração representa uma grave injustiça e transmite uma mensagem preocupante aos profissionais das forças de segurança pública.
O advogado afirmou que a decisão provoca revolta entre integrantes da Polícia Civil e da Polícia Militar, que, na visão dele, passarão a atuar com receio em situações que exijam o uso da arma de fogo. “É um absurdo. É uma vergonha. O governador cedeu à pressão exercida pelos familiares da vítima e pelas redes sociais”, afirmou Ernesto Nóbile.
Ainda segundo a defesa, Vinícius Martinez não foi julgado definitivamente pela Justiça e possui o direito à ampla defesa e ao contraditório. O advogado sustenta que o delegado não teve intenção de atingir a adolescente e que a exoneração, antes do encerramento do processo judicial, configura uma punição antecipada.
Nóbile também afirmou que, com a decisão, policiais poderão se sentir inseguros para agir em ocorrências de risco, temendo futuras consequências administrativas mesmo antes da conclusão de processos judiciais.
O caso Katrina
O caso ocorreu em 4 de agosto de 2024, durante uma festa do peão realizada no município de Promissão, evento que reunia centenas de pessoas. De acordo com as investigações, o delegado Vinícius Martinez efetuou disparos de arma de fogo durante uma intervenção em uma ocorrência registrada no local.
Segundo o boletim de ocorrência, ele teria atirado quatro vezes na tentativa de conter um homem que tentava ingressar no recinto portando bebida alcoólica, prática proibida pela organização do evento.
Durante a ação, a adolescente Katrina Bormio Silva Martins, então com 16 anos, foi atingida por um dos disparos. A jovem estava na festa acompanhada de amigos e de pais de alguns deles. Conforme os relatos apurados na época, ela havia deixado o evento antes do encerramento e aguardava a chegada do pai quando foi baleada.
Os amigos que estavam com Katrina conseguiram deixar o local, mas a adolescente permaneceu caída após ser atingida. Ela foi socorrida, porém não resistiu aos ferimentos. A morte da jovem provocou forte comoção em Promissão e repercutiu em todo o país. Desde então, os pais de Katrina passaram a dedicar suas vidas à busca por Justiça pela única filha do casal, acompanhando cada etapa do processo e participando ativamente das mobilizações relacionadas ao caso.
Em um dos episódios que mais repercutiram após a tragédia, o pai da adolescente, Francisco Martins, foi detido em Assis enquanto distribuía panfletos contendo informações sobre o caso e fotografias do delegado. O material também direcionava a população para reportagens sobre a morte da filha. Na ocasião, ele foi acusado de calúnia e difamação, fato que gerou ampla repercussão e debate.
Após o episódio da festa do peão, Vinícius Martinez foi preso em flagrante e submetido a audiência de custódia. Posteriormente, passou a responder ao processo em liberdade mediante pagamento de fiança equivalente a aproximadamente 20 salários mínimos.
Paralelamente ao processo criminal, o delegado também passou a responder a procedimento disciplinar instaurado pela Polícia Civil. Agora, com a exoneração assinada pelo governador, a defesa promete buscar sua recondução ao cargo por meio de medidas judiciais.
Com a publicação da exoneração, Vinícius Martinez deixa imediatamente de integrar os quadros da Polícia Civil paulista. A medida produz efeitos imediatos e, além do desligamento do serviço público estadual, impede que ele participe de novos concursos promovidos pelo Estado de São Paulo durante os próximos dez anos. Enquanto isso, familiares e amigos de Katrina seguem acompanhando o caso e defendendo que a responsabilização pela morte da adolescente seja efetivamente reconhecida pela Justiça.
Fonte: Abordagem Notícias












