Do “homo sapiens” à aberração das “mulheres sapiens” que fomos obrigados a engolir anos passados, em rede nacional, pouco evoluímos na compreensão da língua materna e das significações radicais dos vocábulos latinos. “Homo” não se limita ao gênero masculino, mas é raiz de toda e qualquer palavra destinada a ilustrar nossas referências ao gênero humano. Portanto, diz respeito à humanidade como um todo. Neste, penso eu, também se inserem as “degredadas filhas de Eva”, nosso gracioso e bendito gênero feminino. Então não tem porque destinar-lhe uma referência exclusiva, já que somos todos navegantes do mesmo barco da existência humana.

            Todavia, o que me leva a buscar essas raízes etimológicas tem outra razão. Verifica-se um apossar-se quase exclusivista de um adjetivo que sequer consta no Dicionário Aurélio, mas que tem sido usado extensivamente pela mídia e publicações ligadas às defesas das causas LGBT e cia. Sim, porque essa sopa de letrinhas aumenta dia-a-dia. O que nos chama a atenção não é a generalidade forçada de seu significado (tende a descrever todo aquele que demonstre aversão às causas homoafetivas), mas a junção malfeita entre homo e fobia, ou seja, medo do gênero humano. Alguns ainda apelam, colocando suas fobias no patamar do terrorismo psicológico, verdadeiras expressões de terror, pânico mesmo.

            Aqui entro com meus questionamentos. Por que direcionar um adjetivo para uma ação substantiva? Ou seja: seria o gênero humano um dos poucos animais a temer sua própria espécie? Pior que sim. Nossos temores mútuos não advêm de uma minoria enfraquecida por circunstâncias especiais apenas, mas pelas mais diversas situações, tais quais crenças religiosas, cor da pele, torcida esportiva ou política, nações de origem, classe social, círculos familiares, competições profissionais e por aí vai… Como vemos, homofobia não é uma exclusividade única daqueles que julgam seus pares pela preferência sexual. Neste harém, até você, com certeza, possui o vírus homofóbico em suas veias. Você, eu, todos nós somos, em termos, homofóbicos. Senão ostensivamente, ao menos na defesa de nossa integridade, bens, família, conceitos, etc, etc.

            Duvida? Qual sua reação diante de um simples assalto, uma ameaça no trânsito, um desrespeito na fila? Isso é homofobia, medo de ações humanas contrárias ao seu agir, seu pensar. Medo do semelhante.

            Mas a maior das fobias é a que melhor disfarçamos. Luxúria e adultério sempre macularam as relações humanas, em especial quando distantes da pureza de nossas almas, dos sentimentos primeiros que preenchem nossa existência, enquanto portadores da gratidão pelo existir. Preferimos nos tolerar, profanar nossas vidas e manifestar nossos preconceitos a entender por primeiro a homogenia que nos une e não a homofobia que nos divide. Às favas nossos preconceitos e reservas de interesses grupais. Quem nos julga não nos vê conforme nossos grupos, classes ou setores sociais, mas como raça única e semelhante àquele que tudo gerou. “Mas há três espécies de gente que minha alma detesta, e cuja vida me é insuportável: um pobre orgulhoso, um rico mentiroso e um ancião louco e insensato” (Ecle 25, 3-4) Fica aqui um desafio: ressaltar mais o que nos faz iguais diante Daquele que irá nos julgar um dia.

Leia também no JC Online

Compartilhe

Deixe uma resposta

Fechar Menu
Não Permitido Cópia