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O universo digital mudou o mundo e mudou a vida de cada habitante deste planeta. As crianças já nascem com “chip”, eis que sua circuitaria neural ou neuronal é digital. Mas até idosos se acostumam com as facilidades criadas pelo mundo web. As redes funcionam e transformam as rotinas. Mas servem para outras coisas também. Para eleger os conectados.

Foi assim com Obama, que se comunicou com a juventude perplexa dos Estados Unidos e cativou o coração idealista de quem acredita no futuro. Foi assim com Trump, eleito por sua mensagem ufanista e destemida: “Primeiro os Estados Unidos”.

Em ano eleitoral, acredito que a web será uma grande eleitora. Mensagens originais viralizam. Não aquelas chochas, primárias, laudatórias e medíocres. O usuário dos mobiles é um ser “up to date”, está por dentro das novidades. Não quer mais do mesmo. A mesmice já cansou.

É interessante verificar que até em nichos inesperados a influência das redes está a cada dia mais intensa. Dia desses, numa entrevista a Bruna Narcizo, o compositor de “Romaria”, Renato Teixeira, disse que, aos 73 anos, não vota mais: “Meu pai me ensinou que o voto era a arma mais importante que o cidadão tinha. Você ia lá e escolhia uma pessoa que ia te representar. Pra que você precisava de uma pessoa para te representar? Porque não tinha celular!”.

Para Renato Teixeira, a tecnologia surgiu para acabar com a classe política. O que é que ela tem feito pelo Brasil? “Ando pelas estradas cheias de buraco. Segurança, não tem. Escola, não tem. Hospital, não tem. Apenas o que tem é pegar o seu dinheiro e fazer um grande clube para dividir entre poucas pessoas. É uma ação entre amigos, que pega todo o seu imposto. Isso não funciona mais”.

Um discurso desses evidencia que não é apenas a juventude que está descrente. Os cidadãos maduros também. Os idosos também. Aliás, estes são os que mais necessitam do Estado, para cujo sustento contribuíram durante décadas e agora têm serviços públicos de quinta categoria, enquanto continuam taxados pela maior carga tributária do mundo.

Aquele que conseguir devolver uma fagulha de esperança na representação político-partidária poderá colher os votos daqueles que já desistiram de votar. Que votam em branco ou anulam o voto. Ou que, simplesmente, aproveitam o domingo das eleições para fugir a essa grande mobilização, que faz o cidadão trabalhar de graça e depois colher decepção durante os próximos quatro anos.

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista.  

 

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