Justiça manda prender 17 pelas fraudes no vestibular da Fema

Promotores de Justiça de Assis e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em parceria com agentes e delegados da Polícia Civil, deflagraram nesta sexta-feira, 12, a Operação Asclépio. O objetivo foi combater fraudes no vestibular de 2017 para o curso de Medicina da Fundação Educacional do Município de Assis (Fema).

Asclépio (em grego: Ἀσκληπιός, transl.: Asklēpiós), na mitologia grega e na mitologia romana, é o deus da medicina e da cura. Existem várias versões de seu mito, mas as mais correntes o apontam como filho de Apolo, um deus, e Corônis, uma mortal.

 

A investigação revelou que “pessoas com maior capacidade intelectual usavam documentos falsos para se passarem pelos candidatos efetivamente inscritos, realizando as provas no lugar destes”. Segundo a Promotoria, foram identificados “os alunos e os responsáveis pela ação fraudulenta, desvendando a existência de possível organização criminosa com atuação mais ampla, além da Comarca de Assis.

Os promotores destacaram que os integrantes do grupo supostamente se dedicaram a fraudar processos de transferência de alunos de uma faculdade para outra, sempre no curso de medicina.

Ainda segundo a investigação, os esquema não conta com a participação de pessoas ligadas à Fema, de Assis.

Dezessete pessoas foram identificadas e tiveram suas prisões temporárias decretadas pela Justiça. Foram expedidos e cumpridos vários mandados de busca e apreensão para garantia da coleta de provas. A Justiça também decretou o sequestro de bens das pessoas ligadas à organização criminosa.

Durante as investigações, foi identificado Adeli de Oliveira como principal articulador do esquema de venda de vagas para ingresso no curso de medicina e no processo seletivo de transferência de alunos de ciências médicas para faculdades do Estado de São Paulo. As operações envolviam valores entre R$ 80 mil a R$ 120 mil por vaga, negociados de forma parcelada ou até mediante permuta de bens móveis e imóveis.

Também foi preso Adeildo de Oliveira, 53 anos, irmão de Adeli que atualmente cumpre mandato como vereador em Murutinga do Sul, na região de Andradina. Ele é apontado pela polícia como apoiador no esquema e atuaria também na ocultação de dinheiro e patrimônio obtido nas operações ilegais.

 

ORGANIZAÇÃO

Durante as investigações, a Polícia Civil apurou a constituição de sofisticada organização criminosa composta três grupos, todos interligados: 1) Grupo Familiar; 2) Grupo dos Captadores e vendedores de vagas; e 3) Grupo de Intermediários na Universidade Brasil. O primeiro é comandado por Adeli, que coordena detalhadamente todas as ações, assim como se vale dos trabalhos de vários subordinados, seus familiares, para organização, preparação das ações criminosas, recebimento e ocultação dos proventos ilícitos.

O segundo grupo surgiu pela necessidade de trazer captadores e vendedores de vagas, pois como o número de aluno é enorme, Adeli, apenas com seus familiares, não teria condições de atender a oferta de vagas em universidades particulares e a procura dos alunos, valendo-se de outras pessoas para compor o esquema criminoso. O terceiro é composto por pessoas ligadas à Universidade Brasil, que possui faculdade de medicina em Fernandópolis, sem os quais seria impossível o êxito do engenho criminoso, sendo identificados também como integrantes da organização criminosa.

A Operação Asclépio mobilizou 39 viaturas do Grupo Especial de Reação, Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos e do Grupo de Operações Especiais de São Paulo, além de viaturas do interior.

A força-tarefa é composto por promotores de Justiça de São Paulo, Assis, Fernandópolis e São José do Rio Preto, mais 22 delegados da Polícia Civil de Assis, Presidente Prudente e Dracena. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de São Paulo e site de notícias UOL.

Fema divulga nota de esclarecimento sobre a Operação Asclépio:

“A Fundação Educacional do Município de Assis (Fema), que sempre teve suas atividades pautadas pela transparência e pela lisura, se manifesta sobre a operação que investiga fraudes em vestibulares de Medicina no Brasil.

A Fema esclarece, antes, que todo o processo do vestibular para o curso de Medicina da Fema é organizado e aplicado por funcionários da Fundação Vunesp.

Sobre o processo de 2017, a Fema descobriu inconsistências no reconhecimento dos candidatos, informou à Polícia e abriu, imediatamente, um processo administrativo interno para averiguação dos fatos. Os envolvidos tiveram suas matrículas canceladas, reforçando o compromisso da instituição com os processos legais.

A Fema reafirma sua transparência e ética em suas atividades e está à disposição da comunidade e da Polícia para mais esclarecimentos.”

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