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“…criou-se no Brasil a indústria do enriquecimento ilícito pela política…”

 

A crise dos candidatos laranjas que está implicando o partido que lançou o candidato e agora presidente Jair Bolsonaro, não representa qualquer novidade, mas apenas a repetição de uma prática continuada que muitos políticos fazem uso para se locupletar com dinheiro público oriundo da aberração chamada Fundo Partidário. Além de lançar candidatos falsos, os laranjas que não estão interessados em disputar a eleição, os caciques dos partidos políticos também se aproveitam das doações feitas pelos interessados em benefícios futuros para o desvio dos recursos aos seus bolsos.

Com esse e muitos outros métodos escusos, criou-se no Brasil a indústria do enriquecimento ilícito pela política, com aval da Justiça Eleitora que mal consegue conferir os dados de prestação de contas apresentados por contabilistas que conhecem a dinâmica da ineficiência do Estado como fiscalizador. Para confirmar a tese de que os recursos públicos são mal utilizados e que a grande maioria dos candidatos usufruem com naturalidade do chamado Caixa 2, basta verificar as contas dos candidatos a vereador que declaram valores irrisórios como gasto de campanha. A parte principal, o grosso da despesa, que garante a eleição, entra sempre por fora.

Há muito se sabe que para se eleger prefeito ou vereador basta o mínimo de popularidade e o máximo de recurso para uma campanha bem montada que garanta benefícios aos eleitores pela chamada compra de votos. As prestações de contas são reveladoras das falcatruas, com a inclusão de doadores falsos, de pessoas sem condições financeiras sequer do próprio sustento, apenas para camuflar o valor mínimo de fato declarado. Em Palmital, por exemplo, a média de despesa informada pelos vereadores não chega a R$ 10 mil, quando todos sabem qual o custo de uma campanha com condições de eleger o candidato.

O mesmo método é utilizado em campanhas estaduais e nacionais, seja para Executivo ou Legislativo, pois enquanto os muitos candidatos fingem lisura nas contas, os órgãos fiscalizadores fingem a conferência rígida. Afinal, em praticamente 100% de contas falsificadas, existem mais de 95% de aprovação. Quando pego por algum erro formal crasso, a primeira frase proferida pelo eleito suspeito é que suas contas foram devidamente aprovadas pela Justiça Eleitoral, como forma de conferir credibilidade à defesa. Portanto, os laranjas do presidente também se repetem com governadores, senadores, deputados prefeitos e vereadores.

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