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Por causa da insegurança gerada pelas diversas formas de violência, estamos nos tornando pessoas desconfiadas e, portanto, cada vez mais distantes uns dos outros, numa permanente relação de defesa: “cuidado com os estranhos!” Dá a impressão que, em tudo, há segundas intenções, maldade, interesse desonesto, malícia… Não dormimos tranquilos! Não comemos sossegados! Não vivemos em paz! Temos, por vezes, até a sensação de estarmos sendo vigiados, perseguidos… Vivemos perturbados com tudo e com todos!

A mesma insegurança, que gera desconfiança, tem feito de nós pessoas carentes e imaturas, a ponto de vivermos, o tempo todo, atrás de socorro, de uma tábua de salvação e de um porto seguro. O risco é de nos apegarmos, facilmente, a qualquer coisa, na tentativa de resolver, imediatamente, o efeito devastador do medo em nós. Nos sentimos fracos, impotentes, incapazes incompetentes e derrotados. Vivemos à procura! Queremos milagres! Buscamos novidades! Procuramos colo! Choramos a vida, como crianças que precisam de babá.

Como confiar? Como acreditar? Como ser forte? Como vencer as contrariedades?

Não existe uma fórmula mágica para nada nesta vida. Mas, precisamos agir rápido, mandando para longe o medo que se instalou em nós, na forma de desespero!

Não podemos deixar que os sentimentos sejam maiores do que a realidade. É verdade que os acontecimentos, as situações (a realidade) produzem sentimentos muito difíceis de ser lidados, a ponto de pensarmos que vamos resistir; que seremos aniquilados. Nessa hora, é preciso ter calma e ponderar as coisas. É verdade que ninguém é de ferro; que temos sentimentos. Mas, não podemos nos converter em sentimentalóides. Se há sentimento, há também realidade. Olhar para as duas direções nos faz manter o equilíbrio nas ações e reações.

Há, ainda, outro elemento importante a ser considerado: nós não estamos sozinhos. Temos muitas pessoas ao nosso lado, que vivem no mesmo mundo que nós. Ainda que não seja na mesma situação! Nós temos Deus conosco!

Se vivemos desconfiados de tudo e de todos ou, então, apegados a qualquer coisa, será muito difícil enxergarmos, de modo maduro, que alguém possa nos ajudar. Quem sabe nem Deus! Porque quem vive desconfiado ou apegado, quando se aproxima das pessoas ou de Deus, o faz para se proteger, para se preservar, para escapar, para se salvar, para se poupar do sofrimento e da dor. Não é uma aproximação de amor e de fé! Nisso está uma grande limitação a ser vencida.

Enviado pelo Pai, Jesus nasceu para uma missão de amor! Apesar da cruz, por causa do pecado e da morte, o que justifica a vinda de Jesus, não é a morte ou o pecado dos homens, mas o amor de Deus. Ele veio por amor, viveu-morreu por amor e voltou ao Pai pelo mesmo amor! Mesmo que não houvesse a morte e o pecado impondo a cruz, haveria Jesus em sua missão de amor. Por você e por mim, eis a razão da vinda de Jesus, em sua missão de amor.

É Jesus, quem diz: “eu levarei vocês comigo!” Esta é uma proposta de Salvação que passa pelo enfrentamento da vida como ela é. Jesus nos salva, derrotando o pecado e a morte em nós e conosco. Antes de nos levar ao céu, Jesus nos leva à via-sacra, ao calvário, à cruz, à morte, ao sepulcro. E isso é dolorido, exige conversão de fé!

“Jesus continuou dizendo: ‘Não fique perturbado o coração de vocês. Acreditem em Deus e acreditem também em mim. Existem muitas moradas na casa de meu Pai. Se não fosse assim, eu lhes teria dito, porque vou preparar um lugar para vocês. E quando eu for e lhes tiver preparado um lugar, voltarei e levarei vocês comigo, para que onde eu estiver, estejam vocês também’” (Jo 14,1-7).

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