Mulher recebe carta para retirar remédios de alto custo do marido 5 dias após ele morrer
Família de Sorocaba recebeu telegrama após a morte — Foto: Arquivo pessoal
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Família entrou na Justiça em agosto para que medicamentos fossem disponibilizados pelo estado. Paciente, de 55 anos, teve complicações e não resistiu no dia 23 de dezembro; telegrama chegou no dia 28.

Uma família de Sorocaba (SP) recebeu um telegrama com a autorização de um remédio que o paciente precisava cinco dias depois da morte. O paciente José Carlos de Lima, de 55 anos, teve complicações depois de cirurgias no intestino e na perna e não resistiu na Santa Casa.

Segundo a esposa, Ana Lúcia de Proença, também de 55 anos, no mês de agosto o médico receitou que José fosse medicado diariamente com xarelto, um remédio recomendado no tratamento de trombose venosa ou embolia pulmonar.

No entanto, a família precisou entrar na Justiça para conseguir as doses. Conforme o Departamento Regional de Saúde (DRS) de Sorocaba, o medicamento não faz parte da lista do Ministério da Saúde para distribuição no SUS.

Em 22 de dezembro, a Procuradoria Geral do Estado pediu a revogação da liminar concedida “tendo em vista a existência de outros medicamentos similares de igual eficácia” e que são fornecidos pelo SUS.

Contudo, entre outras complicações, o paciente precisou ser internado e não resistiu no dia 23 de dezembro.

“Era uma pessoa que me ajudava a cuidar dos meninos e esse ano foi de muita luta para ele. Agora, estou sozinha com os nossos dois filhos cadeirantes. Tenho que pedir para vizinho ficar com eles”, disse ao G1 a esposa.

Mulher de paciente recebeu telegrama em Sorocaba — Foto: Arquivo pessoal

Mulher de paciente recebeu telegrama em Sorocaba — Foto: Arquivo pessoal

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde informou que o departamento realizou a compra do medicamento sendo adquirido dentro do prazo da decisão judicial.

Ana conta que o marido fez, nos últimos anos, diversos procedimentos cirúrgicos e parecia estabilizado no primeiro semestre do ano.

“Fez uma cirurgia no intestino e usou por anos uma bolsinha. Depois, teve uma complicação no estômago e fez mais uma cirurgia. Teve também quando a situação quando caiu e quebrou o fêmur e colocou uma placa, que infeccionou”, lembra.

Segunda luta

Depois da perda do marido, a moradora do bairro Maria Eugênia tenta mais um embate judicial. Atualmente, a família sobrevive com dinheiro dos filhos de 32 e 19 anos, que têm retardo mental, e ajuda de vizinhos e conhecidos.

Os rapazes nasceram com retardo mental grave e comprometimento significativo do comportamento, o que requer cuidado específico, segundo os médicos.

O segundo processo corre na Justiça para tentar o home care com cuidado diário, medicamentos, fraldas descartáveis, órteses para os pés de um deles, luvas, lenços e álcool em gel. O estado clínico dos filhos é irreversível.

Família entrou na Justiça para homecare dos filhos — Foto: Arquivo pessoal

Família entrou na Justiça para homecare dos filhos — Foto: Arquivo pessoal

FONTE: G1

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