‘Não se faz isso com nenhuma família’, diz filha que enterrou corpo trocado com o do pai, morto por Covid-19
Família achou que tinha enterrado Mário Augusto da Cruz, de 64 anos, no cemitério Vila Formosa. No entanto, o corpo era de outro homem, também morto por Covid no hospital de campanha de Heliopólis
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Kethleen Veloso, filha de Mário Augusto, de 64 anos, que morreu de Covid no hospital de campanha de Heliópolis, afirmou que vai processar hospital.

Um dia depois de sepultar o corpo que achavam que era de Mário Augusto da Cruz, de 64 anos, a família descobriu que na verdade quem estava no caixão era Laurindo Aleixo da Rocha, de 79 anos. Os dois morreram de Covid-19 no hospital de campanha de Heliópolis, na Zona Sul de São Paulo. O enterro foi feito no cemitério Vila Formosa no domingo (26), e as duas famílias descobriram a troca nesta segunda (27).

“O que fizeram não se faz com família nenhuma”, disse Kethleen Veloso, de 30 anos, uma das quatro filhas de Mário. O corpo do pai, morto na madrugada de domingo (26), segue no hospital dois dias depois, nesta terça-feira (28), e a família precisa realizar todos os procedimentos para o enterro novamente.

“Ainda estou sã, mas minha mãe está muito mal, foi parar no hospital”. Maria Aparecida Veloso, de 49 anos, esposa de Mário, chegou a reconhecer o corpo do marido no domingo. “Na hora que o carro funerário chegou com o caixão para poder colocá-lo, foi nessa hora que fizeram a troca”, conta Kethleen. Por causa da possível transmissão da doença, o caixão estava lacrado.

“Eu já tomei uma decisão vou entrar com uma ação contra o hospital”, conta a filha.

O corpo que a família enterrou enganada era de Laurindo, pai de Eder Aleixo, de 37 anos. Ao chegar no hospital para reconhecer o corpo, Eder encontrou o corpo de Mário e lhe falaram que seu pai já havia sido enterrado. “Bateu uma revolta muito grande porque a gente queria ter feito um enterro digno para o nosso pai”, disse Eder. Tanto a secretaria de Saúde quanto Eder registraram boletim de ocorrência sobre o ocorrido.

A secretaria Estadual de Saúde, que administra o hospital de campanha, confirmou a troca de corpos e lamentou o ocorrido. Em nota, a pasta disse que o problema ocorreu por falha do serviço funerário, que não fez a “necessária conferência”.

Além da troca de corpos, Kethleen conta ainda que o pai precisou ir quatro vezes a uma unidade de saúde para conseguir internação. Ele foi duas vezes na AMA de Sacomã, e duas na UPA de São Caetano. Na segunda ida a UPA, o médico o encaminhou para internação, e depois ele foi transferido para o hospital de campanha. “Fizeram exames e 50% do pulmão já estava comprometido”, disse a filha.

Mário morava com a esposa e a filha caçula, de 23 anos, na comunidade de Heliópolis. “Sempre vou olhar meu pai como uma pessoa extrovertida, brincalhão, não tinha tempo ruim pra ele. Deixou coisas muito boas, principalmente a humildade”, disse Kethleen.

Por dispor de 34 UTIs para atendimento de pacientes com Covid-19, o Hospital de Campanha de Heliópolis é o que registra mais mortes por coronavírus entre os hospitais de campanha da capital paulista. Até o dia 20 de julho, a unidade tinha 78 mortos, quantidade muito superior aos outros hospitais de campanha de São Paulo.

FONTE: G1

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