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Um rio não é, simplesmente, um volume d’água que passa por um buraco. Um rio é muito mais do que isso! Todo rio é curso d’água, é movimento, é margem, é correnteza, é força, é destino… Todo rio tem vocação de mar. Todo rio tem esperança de Oceano. Por isso, o sentido do rio está em tudo aquilo que ele é e em tudo aquilo que ele pode ser.

“Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano, ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada: os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê a sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira.

O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece, porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano. Mas tornar-se oceano. Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento. Assim somos nós. Só podemos ir em frente e arriscar. Coragem!!!  Avance firme e torne-se Oceano!” (Osho).

Nadar contra a corrente é um desperdício de força; opor-se à correnteza do rio é negar o seu sentido último. O rio deve ser navegado!

A vida é como um rio e tem seu curso, sua movimento, sua margem, sua correnteza, sua força, seu destino… A vida tem vocação de eternidade. A vida tem esperança de Deus. Por isso, o sentido da vida está em tudo aquilo que ela é e pode vir a ser. A vida tem que ser aceita para ser vivida com todas as suas possibilidades e realizações! Seria muito bom se aprendêssemos a lição do rio, como força de vida.

Assim escreveu Henfil:

“E o RIO corre sozinho. Vai seguindo seu caminho. Não necessita ser empurrado. Pára um pouquinho no remanso. Apressa-se nas cachoeiras. Desliza de mansinho nas baixadas. Precipita-se nas cascatas. Mas, no meio de tudo isso vai seguindo seu caminho. Sabe que há um ponto de chegada. Sabe que seu destino é para a frente.

O rio não sabe recuar. Seu caminho é seguir em frente. É vitorioso, abraçando outros rios, vai chegando no mar. O mar é sua realização. É chegar ao ponto final. É ter feito a caminhada. É ter realizado totalmente seu destino.

A vida da gente deve ser levada do jeito do rio. Deixar que corra como deve correr. Sem apressar e sem represar. Sem ter medo da calmaria e sem evitar as cachoeiras. Correr do jeito do rio, na liberdade do leito da vida, sabendo que há um ponto de chegada.

A vida é como o rio! Por que apressar? Por que correr se não há necessidade? Por que empurrar a vida? Por que chegar antes de se partir?

Toda natureza não tem pressa. Vai seguindo seu caminho. Assim é a árvore, assim são os animais. Tudo o que é apressado perde o gosto e o sentido. A fruta forçada a amadurecer antes do tempo perde o gosto.

Tudo tem seu ritmo. Tudo tem seu tempo. E então, por que apressar a vida da gente?

Desejo ser um rio. Livre dos empurrões dos outros e dos meus próprios. Livre das poluições alheias e das minhas. Rio original, limpo e livre. Rio que escolheu seu próprio caminho. Rio que sabe que tem um ponto de chegada. Sabe que o tempo não interessa.

Não interessa ter nascido a mil ou a um quilômetro do mar. Importante é chegar ao mar. Importante é dizer “cheguei”. E porque cheguei, estou realizado.

A gente deveria dizer: não apresse o rio, ele anda sozinho. Assim deve-se dizer a si mesmo e aos outros: não apresse a vida, ela anda sozinha.

Deixe-a seguir seu caminho normal. Interessa saber que há um ponto de chegada e saber que se vai chegar lá.

É bom viver do jeito do rio!”

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