O tempo, o vento e o fogo

“…o risco do fogo está presente, principalmente nas regiões mais habitadas e próximas de estradas…”

O inverno de 2026 já pode ser considerado atípico pelo volume de chuvas muito acima da média verificada na região, com índices que contrariam o histórico de seca e estiagem comuns no período e, que, nos últimos anos, causaram muitos incêndios agrícolas e florestais.

Os seguidos avanços de frentes frias a partir do Sul do Brasil, causados pelo fenômeno climático El Niño, trouxeram também mais ventos e algumas tempestades fora de época, que serviram para evitar as queimadas de lavouras de cana, sempre suscetíveis, e também das poucas manchas de matas nativas ainda existentes.

Na semana passada, um pequeno incêndio agrícola consumiu uma área de cana de açúcar próxima à zona urbana, indicando que, mesmo com mais chuvas, o risco do fogo está presente, principalmente nas regiões mais habitadas e próximas de estradas e rodovias.

Combatido pelos vizinhos, pela Defesa Civil do Município e pelos caminhões pipa de empresas e usinas, o fogo foi debelado rapidamente e não se alastrou para outras lavouras, já que ainda existe bastante áreas de cana, de milho seco e muitas de palhadas com risco de incêndios quando expostos a temperaturas mais elevadas.

Considerando que a tendência natural é de aumento da temperatura média nos próximos meses, que devem permanecer mais secos do que foi o inverno até agora, é preciso que medidas preventivas sejam adotadas pelos agricultores, como a manutenção de aceiros entre as lavouras, de tanques abastecidos com água e de cuidados redobrados no manuseio de máquinas e equipamentos.

Por outro lado, o Município também deve manter o plantão permanente da Defesa Civil, fazer o monitoramento de regiões mais suscetíveis e agir rapidamente, com parceria da iniciativa privada, no combate a qualquer foco de incêndio que possa se espalhar com os ventos.

É bom lembrar que o risco dos incêndios aumenta na mesma medida em que são reduzidas as áreas de matas nativas e de proteção ciliar, e também de mais assoreamento de rios e consequente redução da umidade do ar, que transforma a própria atmosfera em fator de risco para a manutenção da segurança.

Com menos chuvas, menor umidade relativa do ar, mais lavouras secas, poucas áreas de mata nativa e rios e lagos desaparecendo em bancos de areia, o risco de incêndios aumenta ainda mais, alimentado pela imprudência, pelos ventos mais fortes e pela falta de unidades do Corpo de Bombeiros.

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Cláudio Pissolito

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