Organizações políticas criminosas

“…grupos políticos antagônicos convivem com todas as formas de corrupção e desmandos…”

A cooptação dos negócios lícitos pelas organizações criminosas sempre foi a forma mais efetiva de regularizar os recursos auferidos pela prática das mais variadas formas de ilícitos, como meio seguro de garantir a legalidade do patrimônio adquirido pelos furtos, roubos, sequestros, sonegação fiscal, estelionato e golpes financeiros.

Entre os muitos crimes que se valem das atividades formais para “lavar” o dinheiro, a corrupção e a malversação dos recursos públicos se destacam, o que cria a ligação estreita entre a criminalidade e a política partidária.

Os muitos exemplos de empresas de fachada, ou falsas, que disputam as licitações de serviços e obras e o fornecimento de produtos aos entes públicos, são conhecidos e comprovados diariamente até mesmo pelos ineficientes órgãos fiscalizadores das próprias instituições lesadas.

Para facilitar ainda mais o acesso do crime aos orçamentos públicos, sempre os maiores das cidades, dos estados e do país, os criminosos fazem a cooptação de funcionários e financiam candidatos que são eleitos para representar e atender os interesses das organizações ou das facções infiltradas.

Depois de longo tempo de avanço do crime no meio político e partidário, os dois principais grupos de poder brasileiros, de esquerda e de direita, se tornaram pródigos em escândalos relacionados à corrupção, ao superfaturamento, ao desvio de recursos e à toda forma de malversação, com o revezamento no poder e acusações mútuas da prática da desonestidade.

A esquerda, liderada pelo atual presidente Lula, sobreviveu a dois grandes escândalos de proporções gigantescas, como o Mensalão e o Petrolão. A direita, hoje sob Bolsonaro, enfrenta as denúncias de rachadinhas, de desvio de presentes milionários e a parceria com o maior corrupto da atualidade, o banqueiro Daniel Vorcaro.

Enquanto os grupos políticos antagônicos convivem com todas as formas de corrupção e desmandos e sobrevivem corrompendo os legislativos e o judiciário, as investigações são emperradas ou engavetadas, oferecendo discurso para que os correligionários de ambos os lados tenham argumentos para discussões.

Ao dividir a sociedade brasileira e, consequentemente, o próprio eleitorado apaixonado e sem discernimento, tanto a esquerda como a direita e seus apaniguados, que lideram as instituições republicanas cooptadas, são beneficiados com o poder permanente associado ao crime.

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Cláudio Pissolito

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