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A vida baseada na busca de resultados, invariavelmente, impõe a ideia de sucesso pela força, pela eficácia, pela competição, pela rivalidade, pela ostentação, pela exibição megalomaníaca e pelo nariz empinado.

Quem vive desta mentalidade não admite perder, nem fraquejar, nem sofrer e, nem tão pouco, fazer renúncias. Não cabe no seu vocabulário limitação, pequenez, sofrimento e finitude, próprio de quem é humano. Pelo contrário, como se vivesse um grande ‘faz de conta’, não fala de outra coisa senão de grandezas e, faz disso sua mania. Não se contenta com nada, com ninguém e, nem tão pouco, consigo mesmo. Murmura o tempo todo! Reclama de tudo! Está, sempre, insatisfeito.

Quem vive a vida, atrás de resultados, está sempre com pressa e não saboreia nada! Nós não podemos viver com a pretensão de resultados, porque vida não é resultado! A vida não é como uma fórmula matemática! Não é algo mensurável com a exatidão de 2+2=4! A vida é inexata, sem ser ilógica; é luta, sem ser uma guerra; é fogo, sem ser um inferno; é tarefa, sem ser obrigação; tem um fim, sem ser carta marcada; é imprevisível, sem ser anarquia; é uma caixa de surpresa, sem ser mágica.

A vida é um grande mistério que a gente descobre e vive pouco a pouco; passo a passo; momento a momento; tempo a tempo… Não se perde em ‘coisinhas’ e futilidades, mas se encontra em pequenas coisas e se alimenta de pequenos gestos.

Pode o orgulho garantir alguma coisa na vida? “Javé, o que é o homem para que o conheças, o filho de um mortal, para que o leves em conta? O homem é como sopro, e seus dias como sombra que passa” (Sl 144,3-4 e Sl 8,5-6).

Por melhor que seja esta vida, nada é eterno no mundo! “Como gota no mar e grão na areia, tais são os seus poucos anos frente a um dia da eternidade” (Eclo 18,9).  

O que pode alguém sozinho: sem ninguém e sem Deus? “O mundo inteiro diante de ti é como grão de areia na balança, como gota de orvalho matutino caindo sobre a terra” (Sb 11,22).

Pode alguém viver, a vida toda, de ‘salto alto’, sem cair? “Não deixem que os outros chamem vocês líderes, pois um só é o Líder de vocês: o Messias. Pelo contrário, o maior de vocês deve ser aquele que serve a vocês. Quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado” (Mt 23,10-12).

Quem é que pode gabar-se de alguma coisa na vida? Quem tem algo do que se gabar? “Visto que muitos se gabam de seus títulos humanos, também eu vou me gabar. São hebreus? Eu também. São israelitas? Eu também. São descendentes de Abraão? Eu também. São ministros de Cristo? Falo como louco: eu o sou muito mais. Muito mais pelas fadigas; muito mais pelas prisões; infinitamente mais pelos açoites; frequentemente em perigo de morte; dos judeus recebi cinco vezes os quarenta golpes menos um.

Fui flagelado três vezes; uma vez fui apedrejado; três vezes naufraguei; passei um dia e uma noite em alto mar. Fiz muitas viagens. Sofri perigos nos rios, perigos por parte dos ladrões, perigos por parte dos meus irmãos de raça, perigos por parte dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos por parte dos falsos irmãos. Mais ainda: morto de cansaço, muitas noites sem dormir, fome e sede, muitos jejuns, com frio e sem agasalho. E isso para não contar o resto: a minha preocupação cotidiana, a atenção que tenho por todas as igrejas. Quem fraqueja, sem que eu também me sinta fraco? Quem cai, sem que eu me sinta com febre? Se é preciso gabar-se, é de minha fraqueza que vou me gabar.

É preciso gabar-se? Ele, porém, me respondeu: ‘Para você basta a minha graça, pois é na fraqueza que a força manifesta todo o seu poder.’ Portanto, com muito gosto, prefiro gabar-me de minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim. E é por isso que eu me alegro nas fraquezas, humilhações, necessidades, perseguições e angústias, por causa de Cristo. Pois quando sou fraco, então é que sou forte” (1Cor 11,18.22-30; 12,1.9-10).

Pequenos gestos são fundamentais para a vida em crescimento e em mudanças!

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