Polícia Civil identifica PMs  como agressores de jovem negro que foi trocar relógio do dia dos pais
Homens imobilizam Matheus no Ilha Plaza — Foto: Reprodução/TV Globo
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Segundo os investigadores, os dois trabalham para uma empresa terceirizada do Shopping Via Plaza. Matheus Fernandes, de 18 anos, foi agredido depois de tentar trocar o relógio que comprou para Dia dos Pais

A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou os dois homens que agrediram e ameaçaram com uma arma de fogo o jovem Matheus Fernandes, de 18 anos, dentro do Shopping Via Plaza, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio, na última quinta-feira (6).

Segundo investigadores, os agressores são dois policiais militares, que não tiveram suas identidades reveladas. Segundo as investigações, os dois trabalham para uma empresa terceirizada que presta uma consultoria de segurança para o shopping.

Na sexta-feira (7), a administração do shopping informou que os agressores não eram funcionários do shopping e nem da empresa de vigilância.

Os dois polícias deverão prestar depoimento na delegacia da Ilha do Governador nos próximos dias. Segundo o delegado responsável pelo caso, eles são investigados pelo crime de racismo.

“Essas pessoas que praticaram essa violência contra o Matheus foram identificadas. São dois policiais militares que trabalham para uma empresa de segurança que presta serviços para o shopping. Estamos aguardando a apresentação deles em sede policial para prestarem esclarecimentos”, disse o delegado Marcus Henrique.

Abordagem

O jovem, que é negro, foi ao centro comercial para trocar um relógio que havia comprado para o Dia dos Pais.

No momento em que Matheus estava próximo ao caixa da loja Renner, os dois policiais, que não se identificaram na ocasião, fizeram a abordagem. Imagens das câmeras de segurança da loja mostram que o jovem é retirado da loja sem ter feito nada.

Os seguranças levaram Matheus para a escada de emergência do shopping e lá agrediram e ameaçaram o rapaz. Um deles estava com uma arma de fogo. Um vigilante uniformizado não impediu a ação da dupla de seguranças.

Matheus contou que não adiantou ter mostrado aos seguranças um documento de identificação e a nota fiscal que comprovava a compra do relógio. Ele disse que chorou muito após ter sido confundido com um ladrão dentro do shopping.

Investigação

Acompanhado de seu tio, que é advogado, Matheus prestou depoimento na delegacia neste sábado (8).

“Nós vamos acionar o shopping, vamos acionar a Renner também. Ela tem também uma parcela de responsabilidade. Então nós vamos acionar os envolvidos. O shopping, os seguranças e a Renner”, contou Jaime Fernandes, advogado de Matheus.

Além do jovem, também foram ouvidos nesta tarde o responsável pela segurança do shopping e o vigilante que aparece nas imagens.

“Tá configurado que eles eram seguranças do shopping e o segurança também sabia que eles eram seguranças à paisana”, disse o advogado de Matheus ao deixar a delegacia.

Homens imobilizam Matheus no Ilha Plaza — Foto: Reprodução/TV Globo

Homens imobilizam Matheus no Ilha Plaza — Foto: Reprodução/TV Globo

Agora que os agressores foram identificados, Matheus espera por justiça.

“Já estava mais do que na hora de ter encontrado. Aparentemente eu achei que não iam encontrar. Agora vou ficar mais tranquilo, se Deus quiser, passar o dia dos pais com ele”.

O que diz a PM

Em nota, a Polícia Militar informou que a corporação, como tem demonstrado ao longo de sua história, não compactua e pune com o máximo rigor desvios de conduta cometidos por seus membros.

Segundo a PM, a Corregedoria da Polícia Militar está acompanhando e apoiando a condução do inquérito.

“Paralelamente, foi aberto uma apuração sumária para verificar a conduta dos dois policiais militares sob a égide do regimento interno da corporação, garantindo aos envolvidos amplo direito de defesa”, dizia a nota.

Os outros envolvidos

A Renner afirmou que espera que o Ilha Plaza Shopping assuma a responsabilidade no episódio e que as investigações estão confirmando que a loja não tem qualquer responsabilidade.

Já a administração do shopping afirmou que a empresa de vigilância terceirizada conta com funcionários uniformizados. Eles reconhecem que os agressores são de uma segunda empresa, que presta consultoria de segurança.

O shopping declarou que nenhum funcionário ou empresa contratada tem orientação para realizar abordagem truculenta. A empresa repudia a conduta dos agressores e se solidariza com Matheus.

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