Polícia prende mais dois chefes de departamentos da Prefeitura de Assis por roubo e ameaças a vereador

A Prefeitura de Assis (SP) exonerou mais dois chefes de departamento ligados à investigação da Polícia Civil que apura roubo e ameaças de morte feitas ao vereador Fernando Sirchia (PDT), ocorridas em março. Eles também tiveram a prisão preventiva decretada.

Os servidores Matheus Henrique da Cunha Felício e Wagner Fernando Eugênio Binati, ambos funcionários de carreira que ocupavam cargos de confiança, prestaram depoimento à polícia na segunda-feira (13/07), foram liberados e perderam as funções de chefia. Na tarde desta terça-feira (14/07), tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça e foram presos.

As exonerações e prisões ocorrem um dia após a demissão do então secretário municipal de Planejamento, Obras e Serviços, Leandro Gabrigna, preso temporariamente durante a segunda fase da operação policial.

Leandro Gabrigna  foi exonerado do cargo de secretário de Planejamento de Assis (SP), após prisão em operação da Polícia Civil, nesta segunda (13) — Foto: Prefeitura de Assis/Divulgação

Leandro Gabrigna foi exonerado do cargo de secretário de Planejamento de Assis (SP), após prisão em operação da Polícia Civil, nesta segunda (13) — Foto: Prefeitura de Assis/Divulgação

Segundo a Prefeitura de Assis, as novas exonerações estão diretamente relacionadas às investigações em andamento.

Leandro Gabrigna permanece preso temporariamente. A audiência de custódia estava prevista para a tarde da terça-feira (14/07). Procurada pela TV TEM, a defesa do secretário exonerado afirmou que só vai se manifestar depois que tiver acesso aos autos do processo.

Fernando  Sirchia, vereador em Assis (SP), relaciona ameaças de morte à atividade da CPI dos Combustíveis — Foto: TV TEM/Reprodução

Fernando Sirchia, vereador em Assis (SP), relaciona ameaças de morte à atividade da CPI dos Combustíveis — Foto: TV TEM/Reprodução

Investigação

A Polícia Civil investiga o caso desde março, quando Fernando Sirchia foi rendido por um homem armado dentro da própria casa.

Durante a ação, o criminoso afirmou que havia recebido ordem para matar o vereador e a esposa dele e disse que o parlamentar deveria “ficar de boca fechada” e “parar de ser X9 (delator)”, conforme Sirchia afirmou, dias depois, na tribuna da própria Câmara dos Vereadores.

Segundo apuração da TV TEM, a principal linha de investigação da Polícia Civil é de que pessoas do alto escalão da administração municipal possam ter participação no crime, tratado pelos investigadores não como um simples roubo, mas como uma ação de intimidação contra o parlamentar.

Conforme a Polícia Civil, na segunda fase da operação, realizada nesta segunda-feira (13), foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e três de busca e apreensão.

Celulares e documentos foram recolhidos e serão submetidos à perícia. Na primeira etapa da operação, deflagrada no dia 7 de julho, já haviam sido cumpridos outros dois mandados de prisão e cinco de busca e apreensão.

Delegacia de Polícia Civil de Assis (SP) — Foto: TV TEM/Reprodução

Delegacia de Polícia Civil de Assis (SP) — Foto: TV TEM/Reprodução

Vereador relaciona ameaças à CPI dos Combustíveis

Em entrevista à TV TEM, Fernando Sirchia afirmou acreditar que as ameaças estão relacionadas aos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada na Câmara de Vereadores de Assis para investigar supostas irregularidades no abastecimento da frota da prefeitura. Ele é presidente da comissão.

Segundo o vereador, a comissão, popularmente chamada de CPI dos Combustíveis, identificou indícios de abastecimentos registrados oficialmente, mas que não teriam sido realizados.

“A CPI descobriu um esquema através do sistema de abastecimento. Muitos dos abastecimentos que estavam no papel não aconteceram. Acontecia apenas a troca do recurso da prefeitura por dinheiro para os operadores”, afirmou à TV TEM.

Ainda conforme Sirchia, a investigação encontrou situações consideradas incompatíveis com os registros do sistema, como veículos que estavam em manutenção em outra cidade aparecendo como sendo abastecidos em Assis, além da utilização de senhas de motoristas que estariam trabalhando em outros locais ou até mesmo de férias.

“Tinha van da Saúde parada para manutenção em Marília, mas que foi abastecida em Assis. Van abastecida com senha de motorista que estava em operação na Santa Casa. Van utilizada com senha de motorista que estava de férias”, disse, à TV TEM.

O vereador afirmou ainda que os levantamentos apontam que as supostas irregularidades podem ocorrer há mais tempo e que pessoas investigadas administrativamente em gestões anteriores passaram a ocupar cargos de comando no sistema de abastecimento na atual gestão.

“Aprofundando, percebemos que o esquema não é de hoje. Quem respondia a processo administrativo se tornou gestor desse esquema do combustível na atual gestão municipal. O esquema tomou outras proporções e foi necessário abrir a CPI para a gente apurar”, declarou.

Fonte: g1

Compartilhe
Facebook
WhatsApp
X
Email

destaques da edição impressa

colunistas

Cláudio Pissolito

Don`t copy text!

Entrar

Cadastrar

Redefinir senha

Digite o seu nome de usuário ou endereço de e-mail, você receberá um link para criar uma nova senha por e-mail.