Policial militar que perdeu noiva a caminho da igreja escreve livro sobre perda e superação
Compartilhe

“Estar vivo já é um milagre. Quero dar um motivo para as pessoas seguirem adiante”.

É com esse objetivo que o tenente da Polícia Militar de Itu (SP), Flávio Gonçalves, resolveu publicar um livro com um compilado de todos os textos que posta nas redes sociais sobre a perda da noiva, há pouco mais de um ano.

A enfermeira Jéssica Victor Guedes passou mal enquanto seguia para o próprio casamento, em São Paulo, e teve morte cerebral, em setembro de 2019. Ela estava grávida de seis meses e os médicos conseguiram salvar a criança, que nasceu prematura com um quilo e 34 centímetros.

Em um vídeo feito para homenagear Jéssica na época, Flávio apareceu cantando para Sophia a música que a noiva havia escolhido para o casamento.

Cerca de um ano após o nascimento da filha, o PM resolveu se mudar para o interior para realizar o sonho da companheira.

Desde o dia que perdeu Jéssica, Flávio passou a postar textos no Instagram. Segundo ele, as palavras serviam como conforto para si mesmo e também para parentes e amigos próximos.

“Fiquei muito tempo com a Sophia na UTI e não podíamos receber visitas. Então, os textos passaram a ser uma forma de diário para tranquilizar minha família e meus amigos. Eu falava sobre como estavam sendo os dias no hospital e como a minha filha estava evoluindo”, conta.

A conta na rede social cresceu e cada vez mais pessoas passaram a acompanhar a rotina de Flávio e Sophia. Os textos, que antes eram compartilhados apenas para os amigos e parentes próximos, passaram a atingir milhares de pessoas.

“Foi então que comecei a receber vários comentários de amigos e conhecidos que diziam para eu publicar um livro, porque meus textos e minhas palavras confortavam as pessoas. E eu resolvi ir em frente com a ideia. Pensei que poderia ajudar outras pessoas que passaram por alguma perda, assim como eu passei”, diz.

‘Motivo pra seguir em frente’

Foram oito meses de trabalho até que o produto final ficasse pronto. O tenente cursou Letras pela Universidade de São Paulo (USP), no entanto, precisou abandonar o curso quando entrou na Academia de Polícia Militar do Barro Branco.

Flávio contou ao G1 que ficou feliz com o resultado e que espera tocar muitas pessoas com suas palavras.

“É um livro para tocar as pessoas. Ele foi escrito pra falar com as mães, com os pais, e com pessoas que sofreram perdas. Eu, durante todo esse tempo, me coloquei muito no lugar das mães, no universo feminino e aprendi muito com isso. Quero mostrar pras pessoas que há um motivo pra seguir em frente”, diz.

Fonte: G1

Compartilhe

Deixe uma resposta