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“…o tráfico e o consumo crescem graças ao aumento dos consumidores…”

 

Com a economia oscilando entre a 6ª e a 8ª do mundo desde o final da década de 1970, o Brasil figura entre os países com piores índices na educação, no saneamento e no atendimento à saúde, à habitação e à segurança. Em sentido contrário, ocupamos as primeiras posições em desigualdade social, na violência, na criminalidade, em acidentes e nas mortes no trânsito, além da liderança no consumo de drogas, como cocaína e crack. Não obstante ao amplo conhecimento dessas mazelas que nos mantém em estado de atraso, os seguidos governos não desenvolvem projetos para mudar a situação.

Os planos em âmbito federal, estadual e municipal não se concentram em projetos de melhoria da segurança, de eliminação do déficit habitacional, de combate ao tráfico e consumo de drogas e na prevenção a doenças, otimização da educação e do atendimento à saúde. Invariavelmente, os governos prometem geração de empregos, que depende mais da economia e da qualificação da mão-de-obra do que da vontade do governante, a melhoria da infraestrutura, que consiste em remendar o asfalto de ruas e rodovias, e nos benefícios sociais que nada acrescentam à sociedade além do consumo, incluindo drogas.

Com o crack como produto popular e o acesso facilitado à cocaína, o que se constata nos grandes centros urbanos, nas pequenas cidades, nas regiões rurais e até nos mais distantes rincões onde imperam a pobreza e o analfabetismo é o aumento de consumidores e traficantes que transformam o vício em negócio lucrativo. Associados às instituições de repressão a essa praga social, já que muitas autoridades públicas participam da atividade ou a ela garantem proteção, a economia informal das drogas cresce mais que qualquer outra atividade produtiva.

E, como o tráfico e o consumo crescem graças ao aumento dos consumidores, essa atividade econômica se torna a opção mais acessível à grande maioria dos mais pobres que não necessitam escolaridade, qualificação ou qualquer requisito além da coragem de empunhar uma arma e enfrentar o risco de morrer ou padecer na cadeia. Com o crescimento exponencial do negócio ilícito, muitos políticos e empresários de expressão, além de policiais civis e militares e até as forças armadas têm muitos de seus membros atuando nesse negócio sujo e destruidor da sociedade. O sargento preso na Espanha em avião oficial carregando 39 quilos de cocaína é apenas um exemplo da distorção e da vergonha a que nosso pais está submetido como potência das drogas.

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