“Além da capacidade, é preciso também a cultura do esforço, da pontualidade, da qualidade e da resolução.”

 

Estudos especializados indicam que um operário americano produz 10 vezes mais que um brasileiro, mesmo com jornada de trabalho menor. O mesmo estudo mostra que um operário argentino equivale a três trabalhadores brasileiros, em fenômeno que se repete em praticamente todos os ramos de atividades, seja na área médica, educacional ou científica. Considerando que a avalição esteja correta, ou que mesmo com margem de erro que pode indicar que argentinos produzam o dobro dos brasileiros, nossa posição é bastante desconfortável, pois estamos sempre muito aquém da média mundial.

A baixa produtividade do trabalhador brasileiro, seja o mais qualificado ou aqueles que fazem serviços mais simples, está diretamente condicionada à questão da escolaridade, da capacitação e da especialização, assim como ao compromisso individual para com as suas obrigações. Além de boa formação escolar, da capacidade de leitura e de compreensão dos textos, assim como de análise, compreensão e solução de problemas, o sentido de comprometimento no trabalho é essencial para garantir melhores resultados. Além da capacidade, é preciso também a cultura do esforço, da pontualidade, da qualidade e da resolução.

Essa limitação histórica, que no Brasil persiste em praticamente todos os setores de atividade, é uma das causas do desemprego e dos poucos investimentos em serviços e produtos mais elaborados, pois continuamos como grandes exportadores de matéria prima barata e importadores de tecnologia de custo elevado. Sem perspectiva de melhoria das condições de ensino, da qualificação dos trabalhadores e da mudança radical da cultura do esforço para alcançar resultados, estaremos condenados ao atraso. Sem política de investimento nas pessoas, estamos criando seguidas gerações de trabalhadores de baixa renda e pouca produtividade.

Muitos atribuem nossa baixa produção e pouca produtividade ao excesso de folgas, de férias e, principalmente, de feriados, quando de fato esses não são os empecilhos. Ao contrário do que se apregoa, muitos países mais desenvolvidos e com trabalhadores eficientes possuem mais folgas, mais férias, mais feriados e jornadas menores. A diferença é que tempo dedicado ao trabalho é muito bem aproveitado graças à capacidade das pessoas e os períodos de gozo são importantes para a reposição de energias e melhoria da produção. Afinal, de nada vale uma jornada de trabalho extensa se não houver o melhor aproveitamento de todo o tempo.

Compartilhe

Deixe uma resposta

Fechar Menu
Não Permitido Cópia