Quem vai morrer
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“…os que não acreditam na doença se transformam em ameaça…”    

Passado um ano da confirmação oficial pela Organização Mundial da Saúde, de reconhecimento da pandemia mundial do Novo Coronavírus, todos os países do mundo, com raras exceções, estão enfrentando dificuldades para evitar a contaminação e vacinar suas populações pela falta de imunizantes que deverão atender quase 9 bilhões de humanos.

O calcanhar de Aquiles é justamente a insubordinação da população, a descrença nas autoridades e a falta de disciplina e de senso de responsabilidade social e humana, pois os que não acreditam na doença se transformam em ameaça para os demais.

O Brasil é um dos mais afetados, tanto pela enorme população, a quarta maior do mundo, mas também pela condição econômica e social do povo, a falta de infraestrutura de moradia, transporte e saúde pública e pelas medidas insuficientes, as vezes até inconsequentes, do governo federal que deveria gerir a crise com mais responsabilidade.

Ao politizar a pandemia e terceirizar as culpas, uma marca cada vez mais forte na atual gestão, a população fica dividida entre os que apoiam as medidas de proteção individual e coletiva e os que as abominam, mais pelo interesse econômico do que pelo interesse social e de saúde pública.

Criado o impasse, em que grande parte de pessoas muito bem protegidas e confinadas em confortáveis moradias fazem pregação contra as medidas de higiene, distanciamento e redução das atividades e de eventos, o número de mortes cresce e a cada dia conquistamos um recorde negativo de novos casos.

Diante do caos que já se instala em cidades paulistas, justamente as que dispõem de melhor infraestrutura, é possível imaginar o que pode acontecer nos populosos rincões do país que abrigam os mais pobres, sempre os primeiros afetados por qualquer crise.

O que se previu há mais de seis meses, que se poderia chegar ao ponto de que os profissionais de saúde teriam de exercer a penosa missão de juízes da vida alheia, obrigados a escolher quem receberá atendimento intensivo ou até mesmo uma internação, parece que já acontece.

As mortes de pacientes de Assis transferidos para Palmital e que não puderam retornar é exemplo claro da situação caótica. A cidade de Tupã já tem uma morte a cada 700 habitantes, enquanto Palmital registra um óbito a cada 1.300.

Quem não acredita na doença, não respeita o semelhante ou faz guerrilha na internet contra as restrições é parte do problema e não da solução.

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