Simepar analisa se tornado causou destruição em cidade do Paraná no último domingo

Equipes do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) analisam a possibilidade de a cidade de Reserva, nos Campos Gerais do estado, ter sido atingida por um tornado no último domingo (28/06).

No dia, fortes rajadas de vento, granizo e chuvas fortes atingiram várias regiões do estado. Por volta das 23h, na localidade de Imbu, zona rural de Reserva, pelo menos 11 casas tiveram danos significativos, de acordo com a prefeitura.

Ao menos 50 pessoas foram afetadas, das quais dez estão desalojadas. A vegetação ao redor e também veículos de moradores também foram danificados pela força do vento e do granizo.

As análises começaram na segunda-feira (29/06). Agora, meteorologistas e técnicos do Simepar vão, ao lado de servidores da Defesa Civil Estadual, fazer um mapeamento aéreo da comunidade de Imbu para analisar a situação.

As equipes devem chegaram ao local na quarta-feira (01/07). A expectativa é que os meteorologistas possam conversar pessoalmente com os moradores da região para entender como se comportou a tempestade e analisem visualmente os danos que estudaram por meio de fotos e vídeos.

Estragos foram registrados em Reserva — Foto: Prefeitura Municipal
Estragos foram registrados em Reserva — Foto: Prefeitura Municipal

Segundo o Simepar, durante a visita será possível entender, por exemplo, a distância percorrida por objetos arremessados.

A equipe de geointeligência realizará sobrevoo na região com um drone com um sensor capaz de mapear toda a área atingida. O mapeamento auxilia na classificação dos danos. Ao fim da análise, será possível informar se a região foi, efetivamente, atingida por um tornado e qual a classificação dele dentro da Escala Fujita.

Veja fotos dos estragos na cidade:

Simepar analisa se tornado atingiu Reserva (PR) no domingo — Foto: Prefeitura de Reserva

Simepar analisa se tornado atingiu Reserva (PR) no domingo — Foto: Prefeitura de Reserva

Simepar analisa se tornado atingiu Reserva (PR) no domingo — Foto: Prefeitura de Reserva

Simepar analisa se tornado atingiu Reserva (PR) no domingo — Foto: Prefeitura de Reserva

Histórico de tornados no Paraná

No fim de 2025 e começo de 2026, em um período de três meses, cinco tornados foram registrados no Paraná.

Os fenômenos foram registrados em Rio Bonito do Iguaçu, Guarapuava, Turvo, Mercedes e São José dos Pinhais.

No começo de novembro de 2025, na região central do Paraná, Rio Bonito do Iguaçu teve 90% dos imóveis destruídos durante um tornado de categoria F3 na escala Fujita, que vai até cinco, com ventos estimados entre 300 km/h e 330 km/h.

No mesmo dia, Guarapuava e Turvo, que ficam a 130 km e a 166 km de Rio Bonito do Iguaçu, também registraram estragos significativos. Nelas, os tornados foram classificados como F2, com ventos entre 200 km/h e 250 km/h.

No dia 2 de janeiro, um tornado com ventos de até 120 km/h foi registrado em Mercedes, no oeste do Paraná. O fenômeno foi classificado como F1.

Em São José dos Pinhais, o tornado também recebeu a classificação de intensidade como F2 na Escala Fujita. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), os ventos chegaram a 180 km/h e o percurso foi de cerca de 1 km, não tocando o tempo todo no chão.

Tornado São Jose dos Pinhais — Foto: Reprodução

Tornado São Jose dos Pinhais — Foto: Reprodução

Paraná está no 2º maior corredor de tornados do mundo

O Paraná está localizado em uma das regiões mais propensas à formação de tornados no planeta, segundo especialistas em climatologia. O estado ocupa o segundo maior corredor de tornados do mundo, atrás apenas das chamadas “pradarias centrais” dos Estados Unidos, que têm como característica relevo plano e áreas de baixas altitudes.

O fenômeno que devastou Rio Bonito do Iguaçu, no dia 7 de novembro de 2025, é um exemplo de como a combinação entre massas de ar quente e frio torna o território paranaense mais vulnerável.

A especialista em tornados, Karin Linete Hornes, professora da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), explica que a área propensa a tornados engloba também os outros estados da região Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e partes do Paraguai, Uruguai, Argentina e Bolívia.

“Nós temos sistemas convectivos de média escala que se formam lá no Paraguai, nós temos entradas de frentes frias, muitas vezes que estão associadas também a ciclones que acontecem principalmente no litoral do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Esses três fenômenos formam o combustível perfeito para a instabilidade da atmosfera e para a formação de tornados. Claro que, além de tornados, nós também temos vendavais e chuva de granizo, que estão associados a esses eventos de tempestade severa”, detalha Hornes.

Fonte: g1

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