O cozinheiro tinha 29 anos quando o navio onde trabalhava afundou e todos os demais 12 tripulantes morreram. Ele sobreviveu ao ser jogado pela água para bolha de ar em cabine.
O nigeriano Harrison Okene sobreviveu a um naufrágio em 2013 de uma forma bastante improvável: manteve-se vivo por 60 horas sem comida nem água potável dentro de uma bolha de ar, com oxigênio, que se formou em uma das cabines do navio, afundado a 30 metros de profundidade.
O homem foi arrastado para dentro da cabine do rebocador Jascon 4 pela força da água no momento do naufrágio. Ele foi o único dos 13 tripulantes a sobreviver ao acidente, que ocorreu a cerca de 32 quilômetros da costa da Nigéria.
Quem é Harrison Okene
Harrison Okene tinha 29 anos e era cozinheiro na época do naufrágio. Ele tinha pouca experiência no mar, onde começou a trabalhar em 2010. Antes, havia sido chef da cozinha de um hotel na Nigéria, o que garantia seu sustento com a esposa e os filhos.
Ele decidiu por uma mudança de carreira quando houve um boom petrolífero em seu estado natal, Delta State, no sul da Nigéria, o que o motivou a buscar emprego no mar. Ele se deu conta que poderia ganhar mais dinheiro sendo chef a bordo de um dos muitos navios envolvidos na extração de petróleo.
O Jascon 4, que afundou, era um rebocador, tipo de embarcação que auxilia as manobras de navios e outras embarcações na área portuária de forma segura.
Para Okene, segundo informou em entrevista à BBC, era muito mais vantajoso trabalhar no navio porque ele só precisava servir 12 pessoas, em vez das centenas que eram servidas no hotel. Além disso, o salário era melhor.
“Quanto mais longa é a viagem, mais você é pago, e você não gasta, não tem como gastar. Então, quando volta à terra, tem todo esse dinheiro disponível. Portanto, estava aproveitando o trabalho”, afirmou em entrevista.
Nova mudança profissional
Depois do trágico naufrágio que matou todos os seus colegas, Harrison chegou a prometer para si mesmo que não voltaria ao oceano. No entanto, um segundo acidente o fez mudar de planos.
Harrison dirigia um carro, que saiu de uma ponte e afundou em um lago. Mais uma vez, ele sobreviveu. E ainda conseguiu salvar seu acompanhante. Foi quando veio a decisão: se tornaria mergulhador profissional.
“Após o primeiro incidente, eu disse que nunca mais voltaria ao oceano, mas continuo lá porque sei que é onde devo estar, é o meu ambiente e sempre estarei perto dele”, disse à BBC. “É meu destino, é como Deus quis que fosse.”
Sobrevivente era próximo dos demais tripulantes
Apesar de estar trabalhando no Jascon 4 havia pouco tempo, Harrison já havia navegado anteriormente com o resto da tripulação.
“Éramos amigos, éramos muito próximos”, relatou à BBC. “Me tratavam como uma mãe, compartilhando comigo suas ideias e suas tristezas. Eu dava os poucos conselhos que podia para ajudá-los”, afirmou.
No dia do acidente, ouviu os gritos de seus colegas no momento do naufrágio. “Estava afundando rapidamente. Eu estava em pânico. Ouvi as pessoas gritando, chorando.[…] Eles gritavam por socorro. Você podia ouvir a água borbulhando enquanto entrava nos diferentes compartimentos e depois, silêncio”.
No local onde permaneceu nos dias seguintes, Harrison passou parte do tempo cantando louvores enquanto pensava em sua família.
O resgate
Depois dos dois dias e meio na bolha de oxigênio no fundo do mar que garantiu sua sobrevivência, o cozinheiro foi resgatado quando mergulhadores procuravam pelos corpos dos tripulantes.
Os familiares deles já haviam sido informados que ninguém havia sobrevivido ao acidente. A esposa de Harrison chegou a desmaiar e foi levada para o hospital quando soube ele estava vivo.
Harrison estava na escuridão, com água fria até a cintura, quando escutou barulho dos mergulhadores quebrando portas para entrar no navio naufragado. Foi depois de ele bater nas paredes da cabine que um dos profissionais o encontrou.
Depois de se surpreender com a presença do sobrevivente no local, o mergulhador colocou equipamento de mergulho em Harrison. Ele ainda precisou ficar mais três dias em uma câmera de descompressão no navio, para normalizar seus níveis de nitrogênio e evitar o risco de um ataque cardíaco.
Fonte: G1


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