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“…a Santa Casa enfrentou sucessivas crises financeiras, desde o tempo do fundador-presidente…”

É de conhecimento público que a rede brasileira de saúde é deficitária, insuficiente para atender a demanda, muito mal gerenciada e que trabalha com poucos recursos. O sistema SUS, que deve garantir o atendimento universalizado, mantém-se como principal porta de entrada de pacientes, mas com sua tabela de remuneração muito aquém do custo operacional dos hospitais e clínicas conveniados. Não por acaso, os planos e serviços particulares de saúde são opções da parcela da população que dispõe de recursos, enquanto as próprias instituições públicas mantêm convênios e hospitais exclusivos para seus servidores.

Fundada por Manoel Leão Rego em 1956, como entidade filantrópica, a Santa Casa de Misericórdia de Palmital começou a atender em 1958 e teve a maternidade inaugurada no ano seguinte. O esforço da comunidade foi fundamental para a viabilização do projeto, pois o terreno foi doado pelo próprio fundador e a construção financiada com recursos de doações dos associados e de muitos beneméritos. Portanto, a história da Santa Casa de Palmital tem origem na boa vontade e na disposição das pessoas em colaborar com uma causa considerada de grande valor de benemerência.

Mesmo com um grande número de colaboradores e da ajuda da comunidade nas campanhas, a Santa Casa enfrentou sucessivas crises financeiras, desde o tempo do fundador-presidente, que foi prefeito da cidade em três mandatos. Em seguida, vieram outros grupos de associados, à época reunidos pela chamada Irmandade, sempre com o objetivo de manter a qualidade e a melhoria dos serviços. Entre crises e percalços seguidos, o prédio foi ampliado, reformado e modernizado, transformando-se em um dos maiores complexos hospitales da região em cidades do porte de Palmital.

Mais de 60 anos depois de sua fundação e com as mudanças nas formas de trabalho, com o uso da tecnologia, com exames mais apurados e a necessidade de especialistas e laboratórios modernos para diagnóstico de doenças, a Santa Casa enfrenta mais uma crise. E, como sempre acontece, chega novamente o momento da sociedade, por meio de seus representantes, colaborar com a entidade, oferecer mais uma cota de contribuição e exigir que as lideranças políticas se conscientizem que a entidade é um patrimônio da cidade e não apenas um bandeira eleitoral. Críticas e apontamentos de erros são necessários, mas o trabalho voluntário e a colaboração espontânea são muito mais importantes.

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