Vaticano expulsa Oldeir Galdino, ex-padre de Palmital, pela prática de crime sexual contra seminarista

O Tribunal Interdiocesano de Botucatu publicou na última segunda-feira (18/03) um documento emitido pelo Vaticano que determinou a expulsão dos quadros do clero da Igreja Católica dos padres Oldeir José Galdino, que atuou como administrador da Paróquia de São Sebastião em Palmital, e Maurílio Alves Rodrigues. Eles foram condenados em processo eclesiástico por estupro e abuso sexual contra um ex-seminarista.

No documento, consta que o processo penal administrativo contra os dois religiosos foi concluído e eles foram condenados pelo Dicastério para Doutrina da Fé, o mais antigo dos 16 dicastérios da Cúria de Roma, um dos órgãos da Santa Sé. A punição foi a demissão.

De acordo com o documento, os condenados foram demitidos de todas as suas funções eclesiásticas, conforme notificação foi encaminhada ao bispo diocesano dom Argemiro de Azevedo, da Diocese de Assis, no último dia 8 de março, quando foi concluído o processo que durou 3 anos e 2 meses. A denúncia foi feita por um ex-seminarista que foi abusado pelos padres quando ainda era um adolescente na cidade de em Iepê entre os anos de 2002 e 2003.

Após denúncia do caso à Polícia Civil e à Arquidiocese de Botucatu, a Diocese de Assis emitiu documento em maio de 2021 para afastar os padres de suas funções. A “Medida Cautelar” ocorreu em resposta às denúncias apresentadas pelo ex-seminarista, dando início a procedimento investigatório em que os dois padres foram proibidos do exercício do ministério sacerdotal.

Oldeir, que comandou a Paróquia de São Sebastião em Palmital entre 2008 e 2012, foi acusado de praticar violência sexual contra a vítima em 2002, época em que a vítima era seminarista e tinha 16 anos. Em formação para carreira religiosa, o adolescente teria passado a noite na Casa Paroquial e recebido convite para dormir no quarto do padre, quando teria sofrido o estupro. Posteriormente, também teria sofrido pressão do então clérigo.

Padre Maurílio, segundo a acusação, teria sido procurado como consultor e orientador após o caso e usado a aproximação com o jovem para ter um relacionamento abusivo em que o denunciante disse ter sido usado como “um brinquedo sexual”. O caso incluiu desdobramentos, que incluíram áudios com tentativa de suborno para abafar o caso e tentar evitar a formalização da denúncia.

Em entrevista ao AssisCity, o ex-seminarista disse que após a decisão do Vaticano pode retomar sua vida de volta. “Eu sinto que agora sou livre para respirar, como se estivessem me amarrado por todos esses anos, não é apenas uma decisão judicial, mas uma reparação histórica por todo esse tempo em que me senti mal por mim mesmo, em que enfrentei uma dura depressão, ainda que o efeito tenha sido apenas na esfera eclesiástica. Hoje posso dizer que tudo valeu a pena”, contou. Contudo, em âmbito da Justiça os crimes prescreveram em 2022 e não puderam ser julgados.

O AssisCity também entrou em contato com o bispo diocesano de Assis, dom Argemiro de Azevedo, que não quis comentar o assunto. “O documento foi enviado às partes e é isso que posso confirmar”, disse. Os ex-padres Oldeir Galdino e Maurílio Rodrigues também foram procurados pela reportagem para comentar a condenação, mas não enviaram respostas até a conclusão da reportagem publicada na noite de quinta-feira (21/03).

Com informações do AssisCity

Compartilhe
Facebook
WhatsApp
X
Email

destaques da edição impressa

colunistas

Cláudio Pissolito

Don`t copy text!

Entrar

Cadastrar

Redefinir senha

Digite o seu nome de usuário ou endereço de e-mail, você receberá um link para criar uma nova senha por e-mail.