Vírus palmitalense
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“…o país segue contabilizando mortos e também prejuízos econômicos…”

Enquanto milhares de brasileiros choram a morte de familiares e amigos, o presidente da república passeia de moto e faz aglomeração sem máscara em campanha política antecipada, em evento realizado às custas dos cofres públicos.

No dia seguinte, ele vai a posse de um improvável aliado no Equador e se vê obrigado a usar máscara e a manter distanciamento dos demais participantes, comprovando seu desrespeito até para com a parte do povo que o elegeu.

Apesar do comportamento inadequado repetido diariamente, muitos ainda o defendem como um mito, mesmo desgastado e acuado pelos próprios atos inconsequentes.

Pode-se dizer que o Brasil tem quase o mesmo número proporcional de mortos que a maioria dos países mais populosos das Américas e da Europa, mas a diferença é que, enquanto todos respeitam a dor e o luto que atinge grandes contingentes populacionais, qualquer medida de segurança aqui adotada em favor da vida acaba desqualificada e ironizada pelo deboche oficial.

É possível que o distanciamento social não seja a solução para a pandemia e que até a vacina se mostre inócua contra as mutações do vírus, mas o fato é que a vida é o maior valor humano e deve ser respeitada e defendida a todo custo e por todos os meios.

Diante dessa dicotomia irresponsável que incentiva a divisão entre os que defendem medidas de proteção às pessoas e os que consideram a economia mais importante que a vida, o país segue contabilizando mortos e também prejuízos econômicos, pois não existe dissociação entre crise humanitária e crise material.

E, mesmo diante do caos duplicado pela ignorância e pela falta de entendimento entre os que deveriam zelar pela vida e pela atividade econômica, os radicais de ambos os lados tomam partido para politizar e ideologizar o vírus que não possui preferência política, de gênero ou de origem.

Mesmo contando mortos diariamente, prevendo novas ondas da pandemia, assistindo a pobreza aumentar e a economia despencar, a ignorância persiste como meio de afirmação de posições ridículas e desnecessárias, pois os que se apresentam como descrentes da doença também perecem.

E, assim, negando a importância de se proteger, mas pregando o tratamento precoce sem efeito, ainda existem os que discutem a origem do vírus que não é chinês, nem americano e muito menos europeu, mas sim brasileiro, paulista e genuinamente palmitalense.

Temos vírus de Sussuí e da Espanholada, da Água do Meio, da Água Parada e da Tiriva, de pra cá linha e de pra lá da linha.

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