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Deus nos criou e, como tal, somos perfeitos. Aliás, o ser humano é a plenitude da criação. Entretanto, nós não estamos prontos e acabados; estamos em crescimento permanente.  Tudo, em nós, envolve busca, procura, luta, desafio, insatisfação. Somos perfeitos pela criação e incompletos pela natureza.

Nossa vida nos coloca em relação direta conosco mesmos, com os outros, com Deus, com o mundo e suas circunstâncias. O modo e a intensidade das relações permitem, ou não, o crescimento e o desenvolvimento pessoal. O apego, por exemplo, não uma maneira sadia de se relacionar com as pessoas e as coisas. Não é nada sadia, também, a relação de dominação, de posse, de medo, de ódio, de competição, de rivalidade… Relações desta natureza desembocam, fatalmente, em neuras, desequilíbrios e fechamentos múltiplos.

Relações maduras e equilibradas não são fáceis, mas, também, não são impossíveis. A vida é difícil e tem em seu bojo alegrias e tristezas, saúde e doença, conquistas e derrotas, vida e morte… e não dá para desviarmos deste itinerário como se fosse uma coisa opcional. Quem se permite aos atalhos, vive de modo infeliz e inumano.

Ser feliz não é, simplesmente, se dar bem sempre, ter tudo, conseguir tudo, vencer todas as lutas, não ter problemas, nunca fracassar, não ter derrotas… Ser feliz é viver! E, viver comporta riscos e segurança, problemas e desafios, conquistas e fracassos, perdas e ganhos… Assim somos nós! Assim é a vida!

Nós não nos relacionamos bem com as dificuldades, por isso sofremos em dobro. A questão é tão grave que: o que poderia ser ocasião de crescimento se torna trauma; o que poderia levar à maturidade conduz a infantilidade; o que poderia trazer superação arrasta para a depressão; o que poderia gerar autoconfiança reproduz uma baixa auto-estima; o que poderia ser vida transforma-se em morte.

A mudança de mentalidade, certamente, faz a nossa vida prosperar na direção do equilíbrio e da maturidade. Viver é uma arte! Sendo assim, precisamos ser criativos! Ora, a vida é uma obra de Deus e nós não vamos conseguir viver de modo equilibrado, maduro e harmônico se não entrarmos na ‘lógica’ e dinâmica da criação: a fé.

Para assumir a visão de fé é preciso decidir-se por uma mudança radical nos hábitos e costumes, nas maneiras e intuições, nos critérios e escolhas. Em outras palavras, para assumir e manter a visão de fé é preciso aceitar a necessidade de conversão, não como um ato que, até pode ser referido como um marco ou um monumento belíssimo na vida de uma pessoa, mas como uma dinâmica para a vida toda, sempre!

No dizer de São Paulo, a visão de fé passa pela renovação da mente:  “Não se amoldem às estruturas deste mundo, mas transformem-se pela renovação da mente, a fim de distinguir qual é a vontade de Deus: o que é bom, o que é agradável a ele, o que é perfeito” (Rm 12,2).

Nas palavras de São João, a visão da fé passa pela afirmação do amor a Deus: “Não amem o mundo e nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo – os apetites baixos, os olhos insaciáveis, a arrogância do dinheiro – são coisas que não vêm do Pai, mas do mundo. E o mundo passa com seus desejos insaciáveis. Mas quem faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1Jo 2,15-17).

Viver vale a pena quando se tem um motivo! Quando esse motivo não é cogitado, viver é apenas, viver, como vivem os outros seres vivos, num ciclo. Para a fé, entretanto, viver é corresponder à obra de Deus, como dom e tarefa! E isso comporta gratidão e decisão! Viva!

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