Candidato corrupto; eleitor corrompido

“…disputa presidencial que se resume a dois nomes conhecidos dos meios policiais e judiciais…”

A aproximação das eleições para a escolha de presidente, governador, dois senadores e deputados estadual e federal faz com que muitos reclamem da falta de opção de candidatos competentes e honestos, cada vez mais raros na política nacional.

A polarização extremada entre dois grupos que se dizem de direita e de esquerda, ambos envolvidos em grandes falcatruas e coniventes com o antigo método de entreguismo e corrupção criado pelas elites colonizadoras e mantido pelas elites colonizadas, se mostra inútil diante da semelhança entre os candidatos.

A disputa presidencial que se resume a dois nomes conhecidos dos meios policiais e judiciais prova que o eleitor de qualquer deles não deve e não pode criticar a opinião e o voto alheio, uma vez que ambos possuem fichas criminais extensas, mesmo com a enorme proteção que recebem.

Estrelas dos maiores e mais explícitos escândalos da história recente do país, Lula e qualquer Bolsonaro da família são meros representantes do sistema corrupto operado pelo chamado centrão que, sem definir posição para não perder espaço, apenas espera pelo eleito para manter a organização funcionando por mais outros longos quatro anos.

Para escolher entre dois representantes da engrenagem corrupta que defenestra o pais há mais de 500 anos, temos uma horda de mais de 150 milhões de eleitores com pouco sentido de justiça, quase nenhum valor ético e muito menos os princípios morais que devem reger uma sociedade civilizada.

Cada qual interessado apenas em sua vantagem pessoal ou de seus grupos econômicos e sociais, significativa parte do eleitorado brasileiro sucumbe diariamente à sonegação fiscal, à corrução, à falsificação de documentos, à inadimplência planejada ou a qualquer vantagem oferecida pelos corruptores, incluindo a venda do próprio voto.

Com um sistema eleitoral viciado, criado e mantido para perpetuação dos mais espertos nos cargos, em que o voto de um paulista vale menos de 20 vezes o do eleitor de Roraima, que os votos a um candidato conhecido elege vários outros anônimos, e cuja campanha milionária é bancada pelo bolso dos próprios eleitores, fica cada vez mais difícil acreditar em democracia participativa.

Em mais uma eleição definida pela rejeição, pela opção ao menos desonesto, ou simplesmente pela paixão cega, o eleitor corrompido pelo interesse ou pela ideologia vai, obrigatoriamente, eleger um dos dois corruptos.

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Cláudio Pissolito

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