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“…governos se tornam mais fortes e, comumente, usam a estrutura estatal para a manutenção de cargos, a concessão de vantagens que se transformam em privilégios…”

 

Os governos foram concebidos para administrar os bens de uso público, equacionar os conflitos sociais, equilibrar e fazer justiça com os recursos públicos e funcionar como uma organização cuja autoridade é o governante de uma unidade política, seja da União, dos Estados ou Municípios. Essa unidade política, conhecida como Estado, é a base estável na qual os governos se instalam e que serve como parâmetro para o respeito às leis, às constituições, aos contratos e às regras já estabelecidas, pois, caso contrário, cada governante criaria seus próprios métodos. Assim sendo, existe enorme distância entre Estado e Governo.

Enquanto o Estado é um ente estável, regrado e moderador, o Governo é um ente transitório, com poder discricionário dentro da lei e com autonomia para a implementação de políticas públicas em todas as áreas de atividade. O conflito permanente entre Estado e Governo, por falta de conhecimento das atribuições e limites de cada um, é que faz com que as nações, os estados e cidades sejam mais ou menos desenvolvidos e atendam ou não as necessidades de seus povos. Enquanto os governos são perdulários e até irresponsáveis, o Estado deve ser contido e compromissado.

Com poder para administrar e modificar a essência e a formatação dos Estados, os governos se tornam mais fortes e, comumente, usam a estrutura estatal para a manutenção de cargos, a concessão de vantagens que se transformam em privilégios e para perpetrar maldades e vinganças políticas e até pessoais. Sem o freio moderador do Estado, que deveria ser acionado pelo Poder Judiciário e limitado pelo Poder Legislativo, o que se constata é a convergência de interesses das três instâncias para manutenção de suas vantagens e de suas mordomias absurdas. Enquanto um oferece benefícios, o outro alerta para os riscos e malefícios.

Nas cidades, por exemplo, fica bastante claro o embate eterno entre Estado e Governo, sempre com enorme vantagem para o segundo pela falta de segurança jurídica clara. Com mais recursos em caixa, os governos de cada época concedem vantagens e até favores em busca da popularidade e dos votos que garantem a continuidade do poder, enquanto o Estado fica refém de cada política instituída pelo mandatário e sofre as consequencias das irresponsabilidades praticadas. Assim sendo, os governantes com personificação de estadistas são cada vez mais raros, pois mesmo agindo com responsabilidade e zelando pelo melhor futuro de todos, raramente são populares.

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