Mãe que abandonou recém-nascida dentro de igreja diz à polícia que deu à luz sozinha em casa
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A mulher que abandonou a filha recém-nascida dentro de uma igreja católica na Vila Arens, em Jundiaí (SP), no início do mês de agosto, prestou depoimento na delegacia após ser identificada e afirmou à investigação que fez o parto sozinha nos fundos da casa.

A criança foi encontrada no dia 8 de agosto por um vigia, que acionou a Guarda Municipal. Depois de ficar alguns dias no hospital, a Vara da Infância e da Juventude abriu um processo de adoção e ela já está com uma nova família.

De acordo com a Polícia Civil, a jovem de 26 anos foi indiciada na terça-feira (25/08) por abandono de incapaz. Ela é de Várzea Paulista, cidade vizinha, e tem outros dois filhos, de 2 e 6 anos.

Conforme o relato, a mulher alegou que cortou o cordão umbilical sozinha e não fez pré-natal. A mulher também afirmou que não sabe quem é o pai e disse que estava separada do marido quando a bebê nasceu.

Sobre o dia em que deixou a filha na igreja, ela detalhou que na sexta-feira (7) foi de carro até Jundiaí e a deixou na igreja por que “tinha certeza de que a criança seria encontrada”. Em seguida, mudou-se para Campinas com marido.

Questionada sobre o caso, a jovem sustentou que não teria condições de criar a menina. O delegado Antônio Seleguin Júnior não acredita nessa versão e vai investigar se teve a participação de alguém ou se o marido pressionou-a para abandonar a criança por não ser filha dele. Após ser ouvida, a moradora foi liberada.

DEIXADA NA IGREJA

Antes de encontrar a menina, o vigia que estava no local disse ao G1 que ouviu um choro. A mãe também deixou uma carta para quem a encontrasse.

“Cheguei às 7h, ouvi o chorinho e vim ver. A gente olha atrás de bancos da igreja, mas não atrás da porta. Você não imagina que vai ter alguma lá”, afirmou o vigia Luiz Elias dos Santos.

De acordo com a Guarda Municipal, uma equipe foi informada pelo vigilante da igreja de que ao chegar cedo notou que havia uma bolsa no local. Ao verificar, o vigia constatou que no interior estava a recém-nascida.

Os guardas foram até o local e verificaram que criança não aparentava ferimentos. Os agentes levaram a bebê até o Hospital Universitário.

‘ENTREGA VOLUNTÁRIA’

Ao G1, a promotora da Infância e Juventude de Jundiaí, Ana Beatriz Sampaio Silva Vieira, afirmou que a situação pode ser assemelhada à entrega voluntária, conforme o artigo 19-A do Estatuto da Criança e do Adolescente.

“Muito embora a genitora da criança não tenha feito a entrega da mesma, diretamente ao sistema de Justiça, de modo a possibilitar sua oitiva por equipe interprofissional, o fato é que sua atitude está a revelar que, dentro de suas possibilidades e de seu contexto socioemocional, a genitora agiu com a intenção da entrega, eis que deixou a filha em um espaço de proteção [igreja], acompanhada de uma carta em que faz um apelo de cuidado e felicidade para a filha”, explicou.

A Justiça considera que, como a mãe deixou a bebê na porta da igreja, a menina foi deixada para ser adotada. O casal que cuida da criança se habilitou e aguardou na fila.

“É neste contexto, de reconhecimento de suas próprias fragilidades e incapacidades, seguido de um apelo para o cuidado do bebê e não de abandono, que o sistema de Justiça tratou o caso”, explica.

Recado da mãe:

“Essa princesa pode ser chamada de Zoe Maria. Ela nasceu no dia 31 de julho de 2020 às, 6h40 da manhã e precisa de um lar. Seja lá quem encontre, não faça nenhum mal pra essa princesa. Ajude ela, por favor.

Não me orgulho e nem fico feliz com essa situação, mas creio estar fazendo o melhor para ela. Infelizmente não tenho condições para criá-la.

Cuide, por favor, dessa princesa e por favor não faça nenhum mal pra ela, ela só é um anjo que precisa de um lar.

Se você que a encontrou não puder dar, ajude ela a ir para um lugar seguro. Que Deus proteja você.

E minha princesa que você um dia passa a me perdoar, jamais te esquecerei. Estará todos os dias sem meus pensamentos pra sempre no meu coração e em todas as minhas orações. Eu te amo, princesa.”

Fonte: G1

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