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“…rodovias e as saídas das cidades são transformadas em lixeiras…”

 

Estudos científicos e constatações recentes em várias partes do mundo mostram que uma das principais ameaças à vida no Planeta é a produção e a deposição irregular do lixo. Um mergulhador conseguiu chegar à parte mais profunda do oceano e, para surpresa geral, o único sinal humano que lá encontrou foi o de plástico descartado. Outro estudo indica que até o ano de 2050 haverá mais lixo nos oceanos do que todos os outros seres vivos, comprovando que a poluição produzida pela atividade humana está acabando com as espécies animais e vegetais e, consequentemente, ameaçando seriamente a manutenção da vida na Terra.

Entretanto, o fenômeno da produção e do descarte incorreto do lixo é de responsabilidade pública e também individual, pois depende muito mais do comportamento das pessoas do que de regras estabelecidas. As indústrias que buscam facilitar a vida dos consumidores se especializaram em produzir embalagens descartáveis sem qualquer reaproveitamento, com muitos invólucros maiores e mais pesados que o próprio conteúdo. Pequenas quantidades de bebidas e vários tipos de comidas acondicionadas em latas e garrafas plásticas são exemplos do desperdício de recursos e do encarecimento dos produtos considerados de primeira necessidade.

O fenômeno que se repete em escala mundial pode ser observado no cotidiano das pequenas cidades, onde as pessoas usam as ruas para descartar desde pontas de cigarros até móveis e utensílios inservíveis. Resíduos de festas são deixados na natureza e, de dentro dos veículos, são atirados nas ruas e nas rodovias muitas latas e sacos plásticos de comidas e bebidas. Margens de rodovias e as saídas das cidades são transformadas em lixeiras, enquanto outros buscam como solução ampliar o número de recipientes de coleta de lixo, seja em canteiros, nas praças ou vias públicas.

As festas de final de ano em Palmital, por exemplo, ganharam um ingrediente estranho, que também é usado em outras cidades. Em vez de placas de trânsito, as ruas são interditadas com caçambas de lixo para que os participantes dos eventos públicos quebrem garrafas e copos. Ou seja, em vez de enfeites, luzes e luxo, todos ficam confinados entre grandes lixeiras de metal que não permitem a passagem de veículos mesmo que forçada. E, seguindo essa lógica, em breve o poder público deverá disponibilizar um recipiente para lixo em cada espaço usado pelas pessoas de forma irregular, pois em vez de coibir os abusos, acaba se adaptando a eles.

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