Polícia Civil remete à Polícia Militar investigação sobre denúncia de agressão contra professor deficiente físico
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Rafael Gomes, de 35 anos, registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia Participativa, em Presidente Prudente, alegando que foi agredido por dois policiais militares no dia 20 de outubro.

A Polícia Civil informou ao G1 nesta quarta-feira (28) que remeteu à Polícia Militar a investigação sobre a denúncia feita pelo professor deficiente físico Rafael Gomes, de 35 anos, de ter sido agredido por dois policiais militares no dia 20 de outubro, no Parque do Povo, em Presidente Prudente (SP).

A vítima é moradora de Narandiba (SP) e estava em Presidente Prudente para passar por uma perícia médica, devido a uma paralisia no lado esquerdo de seu corpo. Conforme contou Gomes ao G1, a agressão aconteceu quando ele usava um dos banheiros públicos do Parque do Povo.

O delegado da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Presidente Prudente, Wagner Negré, disse ao G1 que o despacho à Polícia Militar, da responsabilidade total do caso, já foi encaminhado e que a corporação deverá tomar conhecimento do teor do documento até a próxima terça-feira (3).

“A Polícia Civil fica isenta de qualquer procedimento a respeito do caso, a Polícia Militar que fica com a responsabilidade de apreciar a denúncia”, acrescentou o delegado ao G1.

Polícia Militar

A Polícia Militar do Estado de São Paulo informou ao G1, por meio nota, que para a apuração da possível irregularidade praticada por policiais militares, será instaurado o procedimento apuratório cabível.

A corporação informou que preza para que seus agentes tenham uma postura técnica, pelo uso escalonado da força, dentro dos limites que a lei autoriza e que estão descritos nos procedimentos operacionais, adotando todas as medidas necessárias, para se evitar tais eventos.

A Polícia Militar acrescentou que não coaduna com qualquer tipo de excesso ou violência policial.

A instituição ainda informou que só tomou conhecimento do caso envolvendo Rafael Gomes através da solicitação de posicionamento feita pelo G1 na última segunda-feira (26).

O caso

Um professor, de 35 anos, morador de Narandiba, alega ter sido agredido por policiais militares quando usava um banheiro público no Parque do Povo, um dos pontos mais movimentados de Presidente Prudente.

De acordo com o Boletim de Ocorrência, registrado na Delegacia Participativa da Polícia Civil, em Presidente Prudente, a vítima alegou que utilizava um banheiro público do Parque do Povo, na Avenida 11 de Maio, quando foi agredida, no dia 20 de outubro.

Vítima alega ter sido agredida em um banheiro público do Parque do Povo  — Foto: Rafael Gomes
Vítima alega ter sido agredida em um banheiro público do Parque do Povo

Rafael Gomes, que é professor de educação infantil, contou à polícia que estava em Presidente Prudente para fazer uma perícia médica, pois é deficiente físico e encontra-se em processo de afastamento de seu trabalho através do Instituo Nacional do Seguro Social (INSS), e que utilizou o transporte público oferecido pela Prefeitura de Narandiba para ir ao compromisso. Como chegou antes do horário agendado para a perícia, resolveu esperar no Parque do Povo e foi quando utilizou o banheiro masculino.

Enquanto estava em um dos boxes do banheiro, o professor disse à polícia que ouviu um barulho de alguém batendo e perguntando quantas pessoas estavam naquele espaço, por volta das 8h, momento em que a vítima respondeu que havia apenas uma pessoa.

Em seguida, o professor alegou que a mesma pessoa que o havia questionado empurrou a porta do boxe em que ele estava. A porta bateu no celular da vítima e o aparelho caiu no chão.

Neste momento, o homem percebeu que se tratavam de policiais militares, devido ao uso da farda.

Ainda conforme consta no registro oficial da ocorrência, os policiais puxaram a vítima e começaram a desferir socos e chutes em Rafael Gomes. O professor disse à polícia que, durante as agressões, estava sozinho.

A vítima ainda relatou que estava no local somente para fazer suas necessidades fisiológicas e que não cometia nenhum ato ilícito.

O professor não soube informar o nome dos policiais, tendo apenas tirado uma foto da placa da viatura que presumiu ser dos envolvidos. A vítima se comprometeu a enviar a imagem à delegacia, para a apuração dos fatos, segundo o boletim.

FONTE: G1

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