Quadrilha fraudou vestibular de medicina em Assis

A Polícia Civil de São Paulo, por meio do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-8), deflagrou nesta sexta-feira (12/04) a “Operação Asclépio”, batizada com referência ao deus grego da cura. O trabalho, com a parceria do Ministério Público do Estado de São Paulo, tem o objetivo de combater organização criminosa que realiza fraudes em vestibulares para curso de medicina.

 

As investigações tiveram após denúncia de esquema de fraude no vestibular para o curso de medicina da Fundação Educacional do Município de Assis (Fema), ocorrido em abril de 2017, quando a direção descobriu que terceiras pessoas haviam se passado por cinco candidatos e realizaram as provas. A Vunesp, responsável pela seleção, constatou inconsistências nas identificações datiloscópicas, assinaturas na folha de respostas e também nas imagens captadas dos candidatos. Os dados eram diferentes aos dos alunos aprovados e matriculados no curso.

 

A constatação resultou no em inquérito policial para apurar a associação criminosa, estelionato e falsificação de documento. Durante as investigações, ouve a identificação de Adeli de Oliveira como principal articulador do esquema de venda de vagas para ingresso no curso de medicina e no processo seletivo de transferência de alunos de ciências médicas para em faculdades do Estado de São Paulo. As operações envolviam valores da ordem de R$ 80 mil a R$ 120 mil por vaga, negociados de forma parcelada ou até mediante permuta de bens móveis e imóveis.

 

Também houve a prisão de Adeildo de Oliveira, 53 anos, que é irmão de Adeli e atualmente cumpre mandato como vereador em Murutinga do Sul, localizado na região de Andradina. Ele é apontado pela polícia como apoiador no esquema e atuaria também na ocultação de dinheiro e património obtido nas operações ilegais.

 

ORGANIZAÇÃO

Durante as investigações, a Polícia Civil apurou a constituição de sofisticada organização criminosa composta três grupos, todos interligados: 1) Grupo Familiar; 2) Grupo dos Captadores e vendedores de vagas; e 3) Grupo de Intermediários na Universidade Brasil. O primeiro é comandado por Adeli, que coordena detalhadamente todas as ações, assim como que se vale dos trabalhos de vários subordinados, seus familiares, para organização, preparação das ações criminosas, recebimento e ocultação dos proventos ilícitos.

O segundo grupo surgiu pela necessidade de trazer captadores e vendedores de vagas, pois como o número de aluno é enorme, Adeli, apenas com seus familiares, não teria condições de atender a oferta de vagas em universidades particulares e a procura dos alunos, valendo-se de outras pessoas para compor o esquema criminoso. O terceiro é composto por pessoas ligadas a Universidade Brasil, que possui faculdade de medicina em Fernandópolis, sem os quais seria impossível o êxito do engenho criminoso, sendo identificados também como integrantes da organização criminosa.

 

A operação contou com a participação de 350 policiais civis apoiados em cada região do Estado, Policiais Civis de Minas Gerais e Promotores de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo. Durante a ação foram cumpridas 17 prisões temporárias e realizadas 55 buscas autorizadas pela Justiça.

 

Fema divulga nota de esclarecimento sobre a Operação Asclépio:

 

“A Fundação Educacional do Município de Assis (Fema), que sempre teve suas atividades pautadas pela transparência e pela lisura, se manifesta sobre a operação que investiga fraudes em vestibulares de Medicina no Brasil.

 

A Fema esclarece, antes, que todo o processo do vestibular para o curso de Medicina da Fema é organizado e aplicado por funcionários da Fundação Vunesp.

 

Sobre o processo de 2017, a Fema descobriu inconsistências no reconhecimento dos candidatos, informou à Polícia e abriu, imediatamente, um processo administrativo interno para averiguação dos fatos. Os envolvidos tiveram suas matrículas canceladas, reforçando o compromisso da instituição com os processos legais.

 

A Fema reafirma sua transparência e ética em suas atividades e está à disposição da comunidade e da Polícia para mais esclarecimentos.”

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