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“…uma publicação oficial pode, a qualquer tempo, ser alterada, excluída ou incluída…”   

 

A ampliação e a diversificação dos veículos de comunicação graças ao uso da tecnologia, principalmente da internet, aumenta a oferta de notícias em todos os segmentos, mas não garante necessariamente a melhor informação ao leitor e à população. As ferramentas que facilitam o acesso mais democrático às várias plataformas existentes e também à opinião e à crítica, são as mesmas utilizadas por aqueles que fazem uso em benefício próprio, de partidos políticos, corporações ou de grupos de interesse. Assim sendo, pode-se concluir que a maior quantidade não corresponde a mais qualidade.

Exemplos claros e muito emblemáticos se observam na atividade pública, cujas notícias antes muito bem filtradas e checadas por profissionais experientes, hoje estão sob domínio dos próprios interessados que usam as redes sociais para comunicar-se diretamente com a população, transformando o veículo de informação em palanque político-eleitoral. Nas discussões e controvérsias sobre temas polêmicos, cada um emite sua opinião com os argumentos próprios, sem a possibilidade do questionamento mais apurados dos profissionais habilitados que podem de fato fazer o contraponto balizador.

Não por acaso, as publicações oficiais e institucionais dos governos federal, estaduais ou de pequenas prefeituras estão migrando para as plataformas digitais administradas pelos próprios órgãos, ou seja, por aqueles que detêm o controle dos sistemas. Com essa possibilidade garantida por lei e o domínio absoluto da plataforma hospedada e administrado pelas instituições, as informações correm risco muito maior de manipulação ou omissão. Afinal, uma publicação oficial pode, a qualquer tempo, ser alterada, excluída ou incluída por funcionários subordinados aos superiores diretamente interessados no maior ou menor alcance da informação.

Partindo do entendimento que a transparência não é necessariamente uma prioridade da maioria dos órgãos e instituições públicos, é preciso uma dose extra de cuidado e de acompanhamento rígido das ferramentas disponibilizadas aos cidadãos, uma vez que a manipulação tornou-se muito mais facilitada e o acesso muito mais dificultado. Um processo de licitação, um concurso público ou uma informação de interesse geral nem sempre chegam a todos os interessados, pois é muito claro que a tiragem e a circulação, assim como até a datação de informativos oficiais, sejam impressos ou digitais, estão muito mais sujeitos à manipulação.

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