Trump passa a defender uso de máscaras
O presidente dos EUA, Donald Trump, em foto publicada em seu perfil no Twitter na segunda-feira (20), defendendo o uso de máscaras
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‘Estamos unidos em nosso esforço para vencer o invisível vírus da China e muitas pessoas dizem que é patriótico usar uma máscara quando não se pode respeitar o distanciamento social’, escreveu o presidente dos EUA em seu perfil no Twitter.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que durantes meses se negou a promover o uso de máscaras para combater a pandemia do novo coronavírus, publicou no Twitter nesta segunda-feira (20) uma foto em que aparece com o adereço, um gesto que considerou “patriótico”.

Restando pouco mais de cem dias para as eleições, as críticas à política de Trump para combater a Covid-19 têm comprometido suas aspirações para a reeleição, com as pesquisas atribuindo a vantagem a seu adversário, o democrata Joe Biden.

Após desqualificar a gravidade da pandemia – que já matou 140 mil pessoas nos Estados Unidos – e apostar em um desaparecimento do vírus, as críticas contra o presidente têm se intensificado ante uma importante recidiva dos casos nos populosos estados do sul e do oeste do país, particularmente na Flórida.

Este aumento de contágios em estados-chave para ele chegar à Casa Branca, como o Texas ou a Flórida, obrigou o presidente a reavaliar seu discurso e recomendar o uso da máscara, o que não tinha feito até agora.

“Estamos unidos em nosso esforço para vencer o invisível vírus da China e muitas pessoas dizem que é patriótico usar uma máscara quando não se pode respeitar o distanciamento social”, escreveu Trump em sua conta na rede social.

“Não há ninguém mais patriótico do que eu, seu presidente favorito!”, concluiu.

We are United in our effort to defeat the Invisible China Virus, and many people say that it is Patriotic to wear a face mask when you can’t socially distance. There is nobody more Patriotic than me, your favorite President! pic.twitter.com/iQOd1whktN

— July 20, 2020

A mensagem veio acompanhada de uma foto, em branco e preto, em que Trump aparece usando uma máscara com o selo presidencial. Trump usou pela primeira vez uma máscara em público em 11 de julho.

Esta atitude de repúdio à máscara atiçou e politizou a discussão sobre seu uso, o que deve ser decidido por governos locais.

No domingo, Trump invocou a “liberdade” individual para não defender a obrigatoriedade de seu uso em nível nacional.

Coletivas de imprensa

Trump anunciou que vai retomar na terça-feira as coletivas de imprensa regulares para informar sobre a situação da pandemia, que realizou junto com o gabinete de crise da Casa Branca nos primeiros meses de surgimento da doença, de março até o fim de abril.

Estas coletivas, às vezes longas e confusas, deram origem a deboches depois que Trump divagou sobre a possibilidade de injetar desinfetante nos pacientes.

“Eu as fazia e tínhamos muita gente assistindo, um recorde de pessoas na história da televisão a cabo e nunca houve nada parecido”, afirmou o presidente em uma declaração no Salão Oval.

A mudança de tom ocorre em um momento em que a crise se agrava e em uma cidade como Los Angeles as hospitalizações alcançaram um recorde no fim de semana.

“Vamos fazê-lo às 17 horas (19 horas em Brasília), como antes, temos um bom horário”, comemorou o presidente republicano, que antes de entrar na política fez fama como o apresentador de televisão.

O presidente foi, ainda, criticado por ter aproveitado estas coletivas como tribuna pessoal no âmbito de sua campanha pela reeleição.

Biden, que se isolou em sua residência após a explosão da pandemia e faz um tímido desconfinamento, está em primeiro lugar nas pesquisas, embora limite seus deslocamentos.

Trump, por sua vez, prometeu que nas coletivas trará aos americanos boas notícias sobre o desenvolvimento de uma vacina e tratamentos para a Covid-19.

Agora todas as apostas estão se o prestigioso imunologista Anthony Fauci continuará ao lado do presidente durante as coletivas, com a difícil tarefa de corrigir informações incorretas, sem ferir a suscetibilidade do chefe.

Sua presença ou ausência dará o tom sobre se o especialista mantém seu papel na célula de crise da Casa Branca depois de o presidente tê-lo criticado na semana passada. ao considerar sua postura sobre o vírus como “alarmista” demais.

FONTE: G1

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