LEITE ORGÂNICO. O processo de produção de leite orgânico reuniu várias pessoas interessadas. 40 participantes do curso de Pecuária Leiteira Orgânica que terminou sábado, dia 27 de outubro. O quinto e último módulo do curso aconteceu na Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos-SP) com visitas a duas propriedades do município. O primeiro módulo aconteceu em junho e nos meses seguintes os inscritos se reuniram no interior paulista. Dois módulos aconteceram na fazenda Nata da Serra, em Serra Negra (SP), uma das realizadoras da capacitação, junto com a Embrapa Pecuária Sudeste e a SIN (Secretaria de Inovação e Negócios).
30 de outubro de 2018
Dezessete e vinte horas de 28 de outubro do Ano da Graça de 2018. Ano da Graça como todos os demais que sucederam a redenção de Cristo Jesus. Brasil, mostra tua cara! Opss… Brasil mostra ao mundo tua capacidade de discernir e respeitar tuas escolhas, mesmo ao custo de uma divisão bem meio a meio. Quem votou, votou. Mas quem ganhou, ganhou? Vai levar? Vai cumprir suas promessas? Vai reunificar seu povo? Perguntas que me ocorrem, sem, entretanto, conhecer o resultado final. Isso não faz diferença agora. O que mais almejo é que o tempo de graças esteja acima de tudo e de todos.
Temo pelo radicalismo de posições. De ambos os lados. Pela intolerância de muitos, cuja derrota nas urnas represente também uma virada de mesa, onde nada mais reste do que revolta, baderna, convulsão social ou mesmo apelo à violência, aos extremismos inconsequentes. Isso é o que menos precisa uma nação dividida e fragilizada em suas colunas democráticas ou mesmo pelas suas gritantes necessidades de coesão e valorização dos objetivos comuns. Uma democracia amadurecida não se deixa abater por diferenças momentâneas. Antes, tem à frente um alvo bem mais precioso, aquele que é meta comum dum povo, que valoriza sua possibilidade de escolhas, de mudanças, de gerenciamento popular das próprias conquistas ou eventuais derrotas. Como nação democrática, ainda temos o poder nas mãos. Essa é nossa maior riqueza.
Triste é constatar divisões entre amigos, entre famílias, no seio religioso, na vida comunitária, no clube social, no meio operário, no grupo onde atuamos. Quantas divisões! Quantos rompimentos por divergências partidárias! Mas o partido, o candidato, o ideal político vale bem menos que nossas relações cotidianas. Aqueles seguirão seus ideais de poder, mas o poder das relações humanas (sejam estas familiares ou apenas circunstanciais) continuarão a permear nosso dia a dia, queiramos ou não. Vamos apagar da nossa história o que levamos anos para construir (uma existência às vezes), em troca de uma ilusão passageira, que, bem ou mal, só podemos gerenciar esporadicamente, indiretamente? Bola pra frente, pois o jogo da vida continua.
De fato, um sonho é sempre recheado de alegrias e decepções. Nem tudo o que imaginamos nos é entregue instantaneamente. Precisamos moldá-lo à realidade, adaptar circunstâncias, podar arestas, semear novas esperanças, adubar o terreno. Conversa de consultórios sentimentais ou cabines de confissões e aconselhamentos religiosos, dirá você. Lembro que a afoiteza sempre nos decepciona, que toda obra construída no afã de uma ilusão acaba por desmoronar, que a paciência é a maior das virtudes não humanas, mas divina, que Ele é o Senhor do tempo e da história, mesmo que esta que hoje construímos não esteja em consonância com o que sonhamos. Paciência!
O importante é aquilo que nos une. Como povo, como família, como membros de uma comunidade, seja esta religiosa ou não. Chegou a hora de baixar a bola, se possível, reiniciar o jogo. Um tento na partida em andamento não representa o fim desta. Exigirá, sim, forças renovadas do adversário, mas renovação de forças é também readequação de estratégias, aprimoramento das qualidades, etc. Isso é o que torna bela nossa vida social e política. A busca constante de novas forças… Fica aqui um conselho de Judas Macabeu, quando das primeiras vitórias de seu povo: “É fácil a um punhado de gente fazer-se respeitado a muitos; para Deus dos céu não há diferença entre a salvação de uma multidão e de um punhado de homens, porque a vitória no combate não depende do número, mas da força que desce do céu” (1Mac 3, 18-19) Noutras palavras: Vencido ou derrotado, seu grupo será sempre vencedor se respeitar os planos de Deus, não os próprios.
A empresa, instituição vencedora que teve de enfrentar a concorrência, a competitividade, a mutação dos hábitos e costumes, nem sempre com incentivos ou mamando no Erário, precisa adotar outras táticas de funcionamento para sobreviverem no século 21.
Tudo precisa ser mais ágil, mais racional, mais eficiente e mais rápido. O modelo operacional de plataforma resultou da rede da digitalização e a novidade da 4ª Revolução Industrial é que hoje as plataformas não são apenas digitais, mas globais, vinculadas ao mundo físico.
Uma tendência irrecusável é o interesse do cliente em dispor de tudo aquilo que facilita a sua vida ou lhe traz prazer, sem assumir encargos resultantes de tais opções. Para ser mais claro: há quem goste de ler, mas não tem espaço para uma biblioteca na redução da área física dos lares modernos, com a extinção das domésticas. Ou quem não pode viver sem música, mas não quer uma discoteca. Até mesmo quem não dispensa locomover-se de carro, mas não quer um veículo em sua garagem, com as obrigações de pagamento de IPVA, manutenção, abastecimento, etc. etc.
Pensando nisso, muitas empresas que forneciam produtos passaram a oferecer serviços. Hoje é viável o acesso digital a bilhões de livros por meio da KindleStore da Amazon. Ouvir quase todas as músicas do mundo pelo Spotify. Associar-se a uma empresa de compartilhamento de carros que fornece mobilidade sem a necessidade de possuir um veículo.
É poderosa essa mudança e permite o surgimento de modelos econômicos mais transparentes e sustentáveis de troca de valores. Para isso, é preciso investir em talentos. Aquela pessoa considerada “louca”, talvez seja a mais preciosa para inventar novas estratégias de atender a necessidades do cliente, do que o primeiro aluno da classe, cuja distinção adveio de fabulosa capacidade mnemônica. Decorou tudo o que foi transmitido a ele na escola. Mas é incapaz de um pensamento criativo. Ser desbotado e sem imaginação. Continuará um burocrata e não terá sequer condição de chegar a uma conclusão a respeito de seu insucesso profissional. O mundo exige outras competências e quem não se apercebeu disso, continuará a se acreditar um injustiçado.
Fui votar em um colégio na região da Paulista. A moça indicou: 32ª.Zona. No meu tempo de criança zona era palavrão. Era a “zona do meretrício”. Ficava em um quarteirão da cidade. Fui uma criança do bem, pura como um anjo. Mas confesso que já freqüentava a zona. No bom sentido. Era office-boy de uma farmácia e ia à zona entregar remédios. Lembro-me daquelas mulheres, algumas bonitas, mas de fisionomia triste, que me recebiam com o maior respeito. Eram recatadas e não se exibiam para este entregador de remédios, ainda impúbere, porém curioso, pois já tinha nas veias tudo de um repórter metido. Nunca tive preconceitos para com elas. Embora prostitutas, nunca me escandalizaram. Hoje entendo porque o Evangelho tem tanta complacência para com elas.
Não se deixavam fotografar nuas e nem se despiam em público. Quem poderia julgá-las? Forçadas pelas circunstâncias viviam aquilo que se convencionava chamar de “vida fácil”, que de fácil não tinha nada. Talvez eu já trouxesse nas veias algo de repórter bisbilhoteiro. Notava que a maquiagem delas servia para esconder as mágoas e tristezas de rostos sem esperança. Fiz perguntas indiscretas. Certa vez ao entregar uma encomenda à dona da casa, meus olhos de criança fixaram-se numa imagem de Nossa Senhora ao lado de uma vela acesa em azeite sobre uma estante. Questionei porque ela acendia a vela. Explicou-me que a vela era uma promessa que fizera para que um dia alguém a tirasse daquela vida. Nunca soube o seu nome e jamais me esqueci daquele semblante. Guardei no coração aquela resposta tão sincera, tão confiante e tão honesta. É provável que Deus a tenha atendido.
Hoje a zona ultrapassou os limites das periferias das cidades. Banalizou-se. O que as crianças não viam nas chamadas “casas de tolerância” hoje é permitido ver nas novelas, com permissão do governo que não fixa proibição para faixas etárias, enquanto dublês de artistas posam nuas para revistas pornográficas. Ao contrário daquelas pobres mulheres a quem eu levava remédios e que não tinham onde caírem mortas.
Saí da minha zona eleitoral com este pensamento. Tomara que este país saia definitivamente da “zona” (entre aspas) em que vive.

