“…o domínio cada vez maior da criminalidade e do banditismo sobre as mais variadas atividades econômicas…”
As regiões mais pobres das cidades, sempre nas periferias, que deram origem às favelas e aos cortiços, sempre foram consideradas como sinônimos de medo e de criminalidade pela crença de que o bandidismo nasce e se desenvolve em meio à miséria, em clara postura social discriminatória.
Em seguida, as favelas foram culpadas pelo tráfico e pelo consumo de drogas, um mal que assola a humanidade de forma abrangente, para depois serem taxadas de redutos de bandidos perigosos e portadores de armas pesadas, incluindo todos os seus moradores como inimigos das elites.
Com o domínio cada vez maior da criminalidade e do banditismo sobre as mais variadas atividades econômicas, a ponto de exigir o combate mais efetivo por meio da triagem do caminho dos recursos financeiros, percebe-se que o crime apenas se esconde na favela e, que, de terno e gravata, desfila no asfalto dos ricos e poderosos.
Infiltrado em várias atividades comerciais, no transporte coletivo das grandes cidades e também no sistema político e financeiro, o pior criminoso não é mesmo o pobre favelado, mas sim aquele que vive em mansão, desfila de carro importado e frequenta as manchetes da grande mídia.
É como escreveu Chico Buarque há quase 50 anos: “O que dá de malandro regular, profissional, Malandro com aparato de malandro oficial, Malandro candidato a malandro federal, Malandro com retrato na coluna social, Malandro com contrato, com gravata e capital, Que nunca se dá mal”, ao identificar o verdadeiro endereço da malandragem.
Portanto, as cortinas de fumaça que transformam regiões pobres em alvo preferencial das polícias servem muito mais aos criminosos de colarinho branco do que à população que sofre as consequências da verdadeira criminalidade incrustrada em sedes de bancos e nos palácios governamentais.
O grandes rombos financeiros que reduzem a capacidade de investimento do Estado Brasileiro em educação, saúde, habitação e segurança não são causados pelos ladrões de banco ou pelos assaltantes das ruas, mas sim pelos corruptos e corruptores de se locupletam do erário e se tornam bilionários com poder econômico e político.
Para combater os criminosos mais perigosos não é preciso invadir favelas, arriscar a vida de policiais e infernizar a maioria trabalhadora que sofre as consequências da ausência do Estado, pois basta punir aqueles de fato subtraem nossa pátria mãe tão distraída.
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