“…levam peixes à morte, causam mau cheiro na água e degradam o ecossistema aquático…”
Cenários pouco conhecidos de grande parte da população, os dois principais rios de Palmital, Paranapanema e Pary-Veado, estão se transformando em grandes canteiros de aguapés, plantas aquáticas que se reproduzem rapidamente e transformam as superfícies das represas em jardins verdes.
Ainda que a planta tenha função de filtrar a água, a existência em abundância é atribuída principalmente à poluição oriunda de material orgânico acumulado, como esgoto doméstico e adubo químico, além de outras fontes difusas causadoras de efeitos nefastos.
A proliferação descontrolada do aguapé, mantida pela matéria orgânica que está transformando os rios em “tapetes verdes”, é causadora de danos ambientais graves e de prejuízos socioeconômicos incalculáveis devido à redução do oxigênio.
O primeiro efeito da cobertura do aguapé é a chamada “hipóxia”, ou falta de oxigênio, responsável pela mortandade de peixes, seguida da dificuldade de navegação e da pesca na lâmina d’água coberta pelas plantas que também bloqueiam a luz do sol e, consequentemente, reduzem a troca de gases e impedem a fotossíntese das algas e das plantas subaquáticas.
O aumento excessivo de aguapé é sinal de acúmulo de nutrientes como nitrogênio e fósforo nas águas de lagos e rios, o que favorece o crescimento exagerado das plantas que consomem o oxigênio e levam peixes à morte, causam mau cheiro na água e degradam o ecossistema aquático, o que pode indicar elevada contaminação por esgoto doméstico, industrial e pelos fertilizantes aplicados nas lavouras.
Assim sendo, é possível afirmar que a riqueza das águas que atraíram os colonizadores para a região e possibilitam a formação da cidade e o desenvolvimento agrícola acentuado, está sob séria ameaça em futuro muito próximo.
Os efeitos da proliferação do aguapé são visíveis em toda a extensão do rio Paranapanema, transformado em grande lago pela sucessão de barragens das usinas hidrelétricas, enquanto a represa do rio Pary-Veado, criada pela barragem da pequena hidrelétrica de Sussuí, praticamente desapareceu sob as folhagens.
E, considerando que as duas hidrelétricas são administradas por empresas particulares que exploram o potencial hídrico dos rios para produção e comercialização de energia elétrica, é preciso exigir que sejam tomadas medidas saneadoras em defesa das águas e contra os aguapés assassinos dos rios e do meio ambiente saudável.
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