Os documentos da fase diocesana supletória do processo de canonização de Monsenhor Domingos Chohachi Nakamura foram entregues na quarta-feira passada (08/04) ao Dicastério para as Causas dos Santos, no Vaticano. O material foi levado a Roma pelo vice-postulador da Causa, o padre Leandro César Martins, que foi pároco da Paróquia Santo Antônio, em Palmital. A ação encerra a etapa que envolveu dois anos de pesquisa histórica conduzida pela Diocese de Presidente Prudente e abrindo caminho para a análise pelas instâncias da Santa Sé.
O protocolo ocorreu com a presença do postulador da Causa, o padre italiano Dom Ettore Capra, responsável por conduzir o processo junto ao Vaticano. “Dom Ettore e eu fomos recebidos no Dicastério para as Causas dos Santos pelo chanceler, Federico Favero. Logo após a recepção, foi iniciada a abertura do material entregue”, relatou o padre Leandro. Com a documentação oficialmente recebida, o próximo passo será a verificação técnica dos autos. “Agora, aguardamos a análise dos documentos, juntamente com os já existentes, para a validação jurídica. Em seguida, terá início a fase romana do processo”, explicou o vice-postulador.

A documentação enviada à Santa Sé servirá de base para a elaboração do Positio, sob responsabilidade do postulador, Dom Ettore Capra. O documento reúne a síntese da vida, das virtudes heroicas e da fama de santidade de um Servo de Deus. Concluída essa etapa, o Positio será submetido à avaliação do Vaticano e, se aprovado, Monsenhor Nakamura poderá ser declarado Venerável, uma das fases formais do processo de canonização.

Durante a viagem a Roma, o padre Leandro também participou de audiência na Praça São Pedro, no dia 1º de abril, quando cumprimentou o Papa Leão XIV. Na ocasião, informou ao pontífice sobre a entrega do processo de canonização. Com trajetória marcada pela atuação missionária, especialmente no Peru, onde trabalhou por décadas antes de ser eleito, Leão XIV tomou conhecimento da Causa, que leva ao Vaticano a história do primeiro missionário japonês a atuar no Brasil, desbravando o interior paulista na primeira metade do século XX.

Investigação e trajetória
O material entregue ao Dicastério foi reunido pelos membros do Tribunal do processo, que é composto pelo vice-postulador, padre Leandro; o notário da Causa, padre Jurandir Severino de Lima; e o juiz do processo, monsenhor Miguel Valdrighi. Na documentação, consta o relatório do trabalho de dois anos da Comissão Histórica presidida pelo advogado, professor e escritor Benjamin Teodoro de Resende e composta pelos jornalistas Thaisa Sallum Bacco, Marco Vinicius Ropelli e Vinícius Marini Coimbra, na função de peritos históricos. A Comissão investigou arquivos, localizou documentos e elaborou um parecer técnico sobre a personalidade e espiritualidade de Monsenhor Nakamura.

O relatório foi assinado e selado em cerimônia realizada em 3 de março, na Cúria Diocesana de Presidente Prudente, presidida pelo bispo Dom Benedito Gonçalves dos Santos. Na ocasião, os autos foram lacrados com cera e selados com o sinete oficial, conforme o rito da Igreja Católica, para garantir a autenticidade e a integridade da documentação.
O trabalho desenvolvido na fase diocesana supletória foi necessário para compreender com maior profundidade a trajetória e legado de Monsenhor Domingos Chohachi Nakamura. Ele atuou no Brasil como missionário itinerante entre 1923 e 1940. Estabeleceu-se em Álvares Machado (SP), em 1928, onde se dedicou à evangelização de imigrantes japoneses, em um contexto de formação das primeiras comunidades nipônicas no interior paulista.
Nakamura faleceu em 14 de março de 1940. Ao longo das décadas, a memória de sua atuação permanece viva entre os fiéis, sustentando a reputação de santidade que fundamenta o processo aberto pela Diocese, que agora segue em tramitação no Vaticano.
Fonte: Diocese de Presidente Prudente













