A Apae de Palmital, que administra a escola de educação especial Afonso Negrão, inaugurou na quarta-feira da semana passada (08/04) o TEAcolhe – Centro de Referência em Transtorno do Espectro Autista –, serviço direcionado ao atendimento de crianças e jovens neurodivergentes.
A cerimônia de inauguração foi comandada pelo presidente Paulo Reinaldo Martins, acompanhado de diretores, funcionários e convidados, incluindo representantes do prefeito Luís Gustavo e de entidades de Palmital. Miguel Bueno, presidente da Câmara Municipal, esteve presente junto com vereadores.
Depois da recepção do presidente Paulo Reinaldo, a coordenadora Maria José de Souza Cruz Pontes apresentou o plano de trabalho do TEAcolhe e as ações voltadas ao atendimento especializado aos autistas e os benefícios das terapias para o desenvolvimento dos pacientes. Álvaro Abud, ex-presidente da Apae, que atuou na implantação do centro, destacou o trabalho conjunto para viabilizar o projeto e o papel da Prefeitura como importante parceira da entidade no atendimento aos neurodivergentes e deficientes.
Os vereadores Miguel Bueno, Homerinho, Alessandro Pires e Marcelo Marin destacaram o apoio do Legislativo às ações da Apae e também o trabalho da entidade no atendimento aos autistas e deficientes de Palmital. A solenidade foi encerrada com o descerramento da placa de inauguração do TEAcolhe, seguida de coquetel de confraternização.
CONQUISTAS – A Apae foi fundada em 7 de maio de 1984 com a proposta de oferecer atendimento especializado às pessoas com deficiência em Palmital. Nas primeiras décadas, a entidade funcionou em prédio da Prefeitura, no bairro Wady Zugaiar, e a partir de 2005 ganhou sede própria em amplo terreno no Parque dos Antúrios, que possibilitou a ampliação da estrutura e a diversificação de atendimentos, com importantes conquistas nos últimos anos.
Em julho de 2022, foi inaugurado o Centro de Equoterapia “Ana Lúcia Bueno”, seguida da Ala “Milton Corazzina”, com salas para atendimento a autistas, laboratório de informática e cozinha experimental, em novembro de 2023. No final de 2024, foi aberta a Sala Multissensorial para estimulação dos sentidos de alunos neurodivergentes e deficientes. Atualmente, a entidade está concluindo o projeto do ginásio “José Pascoal Orofino”, que vai possibilitar o incremento das atividades da instituição que atua há mais de quatro décadas no suporte a pessoas com deficiências.
SERVIÇO – A inauguração do Centro de Referência em Transtorno do Espectro Autista – TEAcolhe, na APAE de Palmital, representa uma mudança profunda na forma como o município acolhe, acompanha e garante direitos às crianças com TEA. O projeto, cuidadosamente planejado ao longo dos últimos anos, nasce de uma necessidade urgente: oferecer atendimento terapêutico especializado dentro da própria cidade, evitando deslocamentos longos, desgastantes e emocionalmente desreguladores para as crianças e suas famílias.
Durante anos, os atendimentos eram realizados em municípios vizinhos. As famílias precisavam enfrentar viagens semanais, longas esperas e o retorno apenas quando todos os pacientes estivessem liberados. Para crianças com TEA — que dependem de rotina, previsibilidade e estabilidade — esse processo era especialmente difícil. O TEAcolhe surge, portanto, como resposta concreta a esse sofrimento.
Como o projeto foi pensado e preparado
A concepção do TEAcolhe partiu de um diagnóstico claro: Palmital precisava de um espaço próprio, estruturado e especializado para atender à crescente demanda de crianças encaminhadas pela rede municipal de saúde e educação. A APAE já realizava atendimentos, mas a formalização do projeto permitiu:
- organizar protocolos de acolhimento, avaliação e acompanhamento;
- estruturar ambientes sensoriais com a sala sensorial e terapêuticos adequados;
- garantir continuidade do cuidado sem deslocamentos desgastantes;
- fortalecer a articulação com o NEEP, o Ambulatório de Saúde Mental e as escolas municipais.
Além disso, todos os profissionais passaram por capacitações específicas e hoje são aplicadores ABA, abordagem reconhecida internacionalmente no atendimento a pessoas com TEA.
Estruturação da equipe e dos ambientes
O TEAcolhe foi organizado com uma equipe multidisciplinar, reunindo profissionais experientes da APAE e abrindo novas frentes de atuação. Atualmente, o centro conta com:
- Psicologia
- Fisioterapia
- Psiquiatria
- Nutrição
- Equoterapia
- Assistência Social
- Vagas abertas para Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional
Os ambientes foram planejados para atender às necessidades sensoriais, motoras, emocionais e sociais das crianças. O centro dispõe de:
- salas de atendimento individual;
- espaços de estimulação sensorial;
- áreas externas adaptadas;
- centro de equoterapia;
- ambientes acolhedores e acessíveis.
Cada espaço foi pensado para reduzir estímulos aversivos, promover segurança emocional e favorecer o desenvolvimento global.
Terapias e atendimentos oferecidos
O TEAcolhe reúne um conjunto de terapias essenciais para o desenvolvimento das crianças com TEA dos níveis 1, 2 e 3 de suporte:
- Psicologia: psicoterapia com abordagem comportamental, apoio emocional e orientação familiar.
- Fisioterapia: desenvolvimento motor, equilíbrio, coordenação e autonomia funcional.
- Psiquiatria: avaliação clínica, acompanhamento terapêutico e manejo medicamentoso quando necessário.
- Nutrição: orientação alimentar personalizada e manejo da seletividade alimentar.
- Equoterapia: intervenção terapêutica com o cavalo, promovendo ganhos motores, cognitivos, sociais e emocionais.
- Assistência Social: acolhimento familiar, orientação sobre direitos e articulação com políticas públicas.
- Fonoaudiologia (em implantação): comunicação verbal e não verbal.
- Terapia Ocupacional (em implantação): integração sensorial, autonomia e habilidades adaptativas.
Quem pode ser atendido e até que nível de suporte
O TEAcolhe atende crianças de 0 a 11 anos, encaminhadas pelo município, incluindo:
- alunos da APAE;
- crianças encaminhadas pelo NEEP;
- crianças acompanhadas pelo Ambulatório de Saúde Mental;
- demandas vindas da rede municipal de educação e saúde.
O centro está preparado para atender todos os níveis de suporte, sempre respeitando as singularidades de cada criança e construindo planos terapêuticos individualizados.
Atendimento além da APAE: integração com a rede municipal
Embora funcione dentro da APAE, o TEAcolhe não se limita aos alunos da instituição. Ele foi criado para absorver a demanda de toda a rede pública municipal, atuando em parceria com os órgãos municipais. Com isso, Palmital passa a contar com um ponto de referência para avaliação, intervenção e acompanhamento de crianças com TEA, fortalecendo a rede de proteção e cuidado esse é um compromisso com dignidade, inclusão e futuro
A inauguração do TEAcolhe simboliza mais do que a criação de um novo serviço: representa o compromisso de Palmital com um futuro mais inclusivo, humano e justo. Cada atendimento realizado, cada conquista alcançada e cada família acolhida reforçam a missão da APAE de transformar vidas por meio do cuidado especializado, da empatia e da dedicação. O TEAcolhe nasce para acolher, orientar e fortalecer. E reafirma que nenhuma criança com TEA deve caminhar sozinha — nem suas famílias.































