Após fuga de presos no Paraguai, cidades do Oeste Paulista têm aumento no policiamento
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O Oeste Paulista fica na divisa do Estado de São Paulo com os vizinhos Mato Grosso do Sul e Paraná e o policiamento da região de Presidente Prudente (SP) também está em alerta devido à fuga de dezenas de integrantes de uma facção criminosa do presídio de Pedro Juan Caballero, no Paraguai. O trabalho preventivo da Polícia Militar do Estado de São Paulo foi reforçado em alguns pontos para que tais criminosos não tenham acesso à área.

 

Conforme informou ao G1 o capitão André Domingos Pereira, comandante da 2ª Companhia do 2º Batalhão da Polícia Militar Rodoviária, há um esforço conjunto de toda a Polícia Militar – nos segmentos Rodoviário, Territorial e Ambiental – fazendo o fechamento das divisas para evitar que os criminosos adentrem o Estado de São Paulo ou, se adentrarem, para identificá-los e detê-los.

 

“Houve o aumento do efetivo em locais específicos, principalmente em locais de divisas, como Presidente Epitácio, Paulicéia, Rosana e Florínea, onde são pontos sensíveis, inclusive com o apoio do Baep [Batalhão de Ações Especiais de Polícia] e do Canil”, declarou ao G1 o oficial.

 

Em caso de localização de algum dos indivíduos, haverá possivelmente seu encaminhamento para a Delegacia da Polícia Federal, para que seja verificado se será extraditado ou não para o Paraguai. “É sempre bom salientar que a Polícia Militar em todas as suas unidades de policiamento está sempre atenta a tudo o que acontece e que pode afetar o Estado de São Paulo. Estamos sempre tentando antecipar qualquer ação criminosa que possa oferecer algum risco aqui no Estado”, salientou o capitão.

O oficial ainda ressaltou que, se a população quiser fazer alguma denúncia, existem disponíveis os telefones 190 e 181 (Disque Denúncia), para assim ser realizado o trabalho de recaptura. O G1 solicitou informações à Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), que declarou estar “acompanhando as investigações”.

 

FUGA

Na madrugada de domingo (20/01), 76 presos escaparam, possivelmente por um túnel, do presídio de Pedro Juan Caballero, que é uma cidade paraguaia vizinha de Ponta Porã (MS). Entre os fugitivos, 40 são brasileiros e 36 são paraguaios. Segundo o Ministério da Justiça do Paraguai, eles são integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

 

Até a manhã de segunda-feira (21/01), cinco foragidos haviam sido recapturados, sendo quatro homens do lado paraguaio da fronteira e um no brasileiro. As buscas continuam na região.

 

A prisão dos paraguaios Ronald Francisco Brítez López, Orlando Manuel Torres Verón e José Enrique Ullón Duarte aconteceu por volta de 23h30 (horário local) de segunda-feira na cidade paraguaia de Concepción. Eles foram transferidos para Amambay, sede das investigações, de acordo com informações do “ABC Color”.

 

Na segunda-feira, as autoridades paraguaias já tinham anunciado a prisão do também paraguaio Sabio Darío González Figueredo, que cumpria pena por roubo, estava escondido em uma casa no bairro de San Juan, próxima à penitenciária. Horas antes, um fugitivo brasileiro tinha sido recapturado em Ponta Porã pelo Departamento de Operações da Fronteira (DOF). De acordo com o DOF, ele tem 30 anos, é de Imperatriz (MA) e cumpria pena no presídio regional por tráfico de drogas havia quatro anos.

 

Na lista de foragidos divulgada pelo Ministério da Justiça do Paraguai, estão o brasileiro Timóteo Ferreira, apontado como líder da facção dentro do presídio. Também estão seis supostos integrantes do grupo de matadores de aluguel “Minotauro”, ligado ao narcotráfico. Eles atuam na fronteira e na semana passada buscavam deixar a prisão com uma ordem judicial.

 

MOBILIZAÇÃO

Desde domingo (19/01), as autoridades mobilizaram as forças de segurança tanto no Paraguai como no Brasil. Três carros que teriam sido usados na fuga foram encontrados do lado brasileiro da fronteira.

 

De acordo com a polícia, os detentos saíram por um túnel cavado a partir do banheiro de uma das celas, que ficava no piso inferior do presídio. Porém, de acordo com a imprensa paraguaia, existe a suspeita de que presos tenham deixado a cadeia aos poucos ao longo da semana pelo portão da frente.

 

As autoridades paraguaias buscam esclarecer se houve algum tipo de colaboração da parte dos funcionários do presídio. Por isso, o diretor do presídio e 30 agentes carcerários e de segurança foram detidos e levados para prestar depoimento no Ministério Público do Paraguai. Porém, eles não se pronunciaram a respeito da fuga.

 

CRISE NA SEGURANÇA

Ainda no domingo, a ministra da Justiça, Cecilia Perez, afirmou que sua pasta denunciou ao Ministério Público um suposto plano de fuga e pagamento de 80 mil dólares (mais de R$ 330 mil) por parte de integrantes da facção criminosa para os funcionários do presídio de Pedro Juan Caballero, de acordo com o jornal “La Nación”. Ela chegou a colocar seu cargo à disposição, mas o presidente Mario Abdo Benitez não aceitou.

 

Na segunda-feira, o vice-ministro de Política Criminal do Paraguai, Hugo Volpe, renunciou por causa de suspeitas de corrupção. Uma investigação feita por autoridades brasileiras aponta indícios de que fiscais e representantes do Ministério Público paraguaio estariam envolvidos em um esquema de corrupção, mas não está claro se o esquema estaria relacionado com a fuga de domingo.

Fonte: G1

 

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