“…cooperativas bancárias poderiam se tornar alternativas e até mesmo dominar o mercado financeiro…”

 

A política econômica do novo governo, que prioriza a redução gradual dos juros, que hoje estão nos menores patamares históricos, é uma importante medida de incentivo ao empreendedorismo e aos investimentos na produção. Em contraponto, o menor custo financeiro desestimula a especulação e facilita a vida dos mais pobres, que sempre pagam a conta das crises. Com menos rentabilidade em aplicações, os recursos entesourados são investidos em negócios, na produção, em imóveis, nas novas construções ou disponibilizados em condições melhores a quem precisa comprar ou honrar compromissos.

Com um sistema bancário fechado, dominado por cinco redes, duas delas estatais, a população sofre as consequências de péssimos serviços a custos elevados, pois paga a tarifa mais cara que se conhece, mesmo que seja para apenas manter depósito em conta corrente, cujos valores servem de matéria prima para os bancos auferir os grandes lucros. Com a informatização dos serviços, as despesas com menos funcionários e pouca burocracia são reduzidas, mas nunca repassadas aos correntistas que continuam arcando com o custeio do sistema, enquanto as operações financeiras se transformam em lucro livre.

O único alento nesse mercado fechado, só acessível aos grandes capitais, são as instituições de crédito cooperativistas que começam a se proliferar em nível nacional. Entretanto, algumas delas que respondem por significativa parcela da movimentação financeira, principalmente do cada vez mais pujante agronegócio, adotam as mesmas regras dos concorrentes maiores e, assim, deixam de oferecer melhores condições a seus correntistas-sócios. Em vez de usar os mesmos métodos das grandes instituições, as cooperativas bancárias poderiam se tornar alternativas e até mesmo dominar o mercado financeiro nacional.

Para facilitar a entrada de novos investidores nesse nicho importante de atividade, é necessário que o governo seja mais criativo, que o Banco Central estimule aqueles que oferecem as melhores condições às pessoas e que, com a concorrência mais acirrada que pode incentivar a chegada de outras grandes corporações, o mercado financeiro seja mais saudável e competitivo. Afinal, num país com grande número de desempregados, de maioria assalariada de baixa renda e com muitos dependentes de benefícios previdenciários ou de programas sociais, qualquer taxa ou juro elevado se transforma em afronta ao direito humano de sobreviver.

Compartilhe

Deixe uma resposta

Fechar Menu
Não Permitido Cópia