Minha carteira de motorista é do tempo do Fusca. Para ter a carteira tive que passar no exame de baliza. Fiz a manobra, dei marcha-ré, e encostei o Fusquinha a um palmo do meio-fio. O praça do Detran que fazia as anotações sacudiu positivamente a cabeça, aprovando a minha performance. O instrutor da auto-escola não acreditava no que via, mas mesmo assim, me fez um sinal de positivo. Eu havia passado no exame de baliza. Acabava de fazer jus a minha Carteira de Habilitação, que outra coisa não é senão a carteira de motorista. No tempo em que ainda não se falava em carro-bomba, eu já possuia um. Era um Opala.

            Aprendi a guiar numa auto-escola do Bexiga, em São Paulo. Não me conformava que um carro tivesse três pedais. Na primeira aula questionei isso com o instrutor, mas ele não levou a sério a minha observação altamente tecnológica. A aula dos pedais foi uma chatice. O instrutor era superdidático. Ensinou que o pedal da esquerda era o da “desembreia”, servia para mudar a marcha do câmbio (não existia ainda o câmbio automático) o do meio era o breque; e o da direita, o tal de acelerador. Fez um terrorismo danado ao explicar a função do acelerador. Quase desisti. Explicou o cuidado que se deveria ter com aquele pedal. Esclareceu para nunca pisar fundo, pois acelerava e aumentaria a velocidade do carro.

            Hoje o perigo aumentou porque o Bolsonaro proibiu o uso de radares móveis nas estradas. Sem o radar escondido a maioria vai abusar. Em São Paulo, fora das vias expressas passar dos 60 dá multa. E ponto na carteira! Pior são as madames. Uma vez uma guiava na minha frente e botou o braço esquerdo para fora como que se fosse virar à esquerda. Virou à direita!

            Reclamei. Ela não gostou e respondeu que estava só secando as unhas. Então tá, falei. Fora quando alguém do nosso lado no trânsito com o rádio em volume altíssimo ouvindo moda de viola, tocando Bruno e Marrone, Pedro Bento e Zé da Estrada e Fernando e Sorocaba estourando nossos tímpanos.

Não adianta reclamar porque ele já deixou todos surdos.                              

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