Hospital privado de SP instala câmara frigorífica em estacionamento para receber corpos e liberar vagas da UTI
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O Hospital da Luz, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo, instalou uma câmara frigorífica no estacionamento para armazenar corpos até que eles sejam liberados para o sepultamento e desocupem leitos da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

Uma funcionária relatou ainda que o hospital particular estaria entrando em colapso e tem negado atendimento a pacientes porque está lotado.

O hospital confirmou que instalou uma câmara frigorífica em suas dependências “como solução preventiva e temporária de ampliação da capacidade normal de atendimento aos óbitos, diante da pandemia do coronavírus”, mas disse que “está em funcionamento pleno com todas as equipes dimensionadas para o atual fluxo de pacientes e eventual ampliação de atendimentos.”

A instituição disse ainda que a câmara frigorífica “está amparada em rigorosos protocolos de biossegurança hospitalar e busca dar resposta à delicada situação que o momento exige, sem abrir mão do respeito e da seriedade na condução destes casos”.

Em Manaus, no Amazonas, a secretaria de Saúde informou na última sexta-feira (17) que os hospitais estão recebendo esse mesmo tipo de câmara para acondicionar corpos. O estado registra 250 mortes nesta sexta-feira (24). Em São Paulo, o número de mortos com covid-19 confirmados chegou a 1.512 nesta sexta.

O Hospital da Cruz Vermelha, na Zona Sul de São Paulo, que vai ter 54 leitos usados para pacientes com coronavírus, também recebeu dois contêineres refrigerados com capacidade de abrigar, no total, 24 corpos.

O Hospital particular Sírio-Libanês informou por telefone que possui uma câmara fria, mas que ela não tem sido usada durante a pandemia de Covid-19. O hospital informa que teve 9 mortes por coronavírus até agora. A unidade de saúde informa também que os leitos não estão lotados.

Fachada da unidade da Vila Mariana do Hospital da Luz nesta quinta-feira (23) — Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1

Fachada da unidade da Vila Mariana do Hospital da Luz nesta quinta-feira (23) — Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1

‘Cenário de guerra’

De acordo com o relato da funcionária do hospital que prefere não se identificar, na quinta-feira (23), seis ambulâncias chegaram à unidade de saúde com doentes graves e não puderam deixá-los porque não havia vaga. Um dos pacientes teria tido parada cardíaca dentro da ambulância e sido reanimado pelo médico ali, na frente do hospital.

“O cenário é de guerra”, disse a funcionária, que relatou a presença de familiares na calçada ajoelhados, rezando e chorando.

O Hospital da Luz diz que a movimentação de ambulâncias em frente à unidade “se deve ao fato de ser a base do serviço de transporte médico do grupo ao qual pertence, por sua localização estratégica.”

A instituição não informou qual é a capacidade de leitos e quantos estão disponíveis.

Covas abertas no cemitério da Vila Formosa, que fica na Zona Leste de SP — Foto: Reprodução/GloboNews

Covas abertas no cemitério da Vila Formosa, que fica na Zona Leste de SP — Foto: Reprodução/GloboNews

13 mil valas

Na quinta-feira (23), o prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou que irá aumentar a capacidade de enterros na cidade de São Paulo com a abertura de 13 mil novas valas e a compra de novas câmeras refrigeradas que podem armazenar temporariamente até mil corpos por dia para atender o crescente número de mortes provocadas pela pandemia de coronavírus.

O Cemitério da Vila Formosa, na Zona Leste, considerado o maior da América Latina, vai funcionar como centro de logística para os mortos de Covid-19.

“Estamos abrindo 13 mil novas valas, inclusive com a utilização e quatro mini retroescavadeira e, se necessário, vamos ter capacidade para poder trabalhar 24h por dia aqui na cidade de São Paulo. Construímos um centro de logísticas no Cemitério da Vila Formosa e adquirimos oito câmeras refrigeradas que podem guardar até mil corpos aguardando sepultamento”, afirmou o prefeito.

As 13 mil valas foram abertas nos cemitérios: Vila Formosa (cerca de 8 mil), Vila Nova Cachoeirinha (cerca de 2 mil), São Luís (cerca de 3 mil).

A capacidade de enterros foi ampliada para 400 por dia. A média histórica de sepultamentos é de cerca de 240 por dia no período de verão. Nos meses de inverno, esse número chega a 300 por dia.

O prefeito voltou a recomendar que a população fique em casa durante a quarentena. “O vírus está se espalhando pela cidade de São Paulo. Em todas as regiões, em todos os bairros, nós já temos casos de óbitos confirmados que chegam a quase mil na cidade. O pior ainda está por vir”, alertou.

O Cemitério da Vila Formosa irá receber os corpos onde será possível realizar o manejo e sua operacionalização. A instalação do centro de logística será concluída até o início da próxima semana. Outros dois centros de logística poderão ser instalados no Cemitério Cachoeirinha (Zona Norte) e no Cemitério São Luís (Zona Sul), caso o número de óbitos ultrapasse 400 sepultamentos por dia.

Além disso, foram compradas 38 mil novas urnas funerárias e 15 mil sacos reforçados para o deslocamento de corpos na cidade.

Enterro no Cemitério da Vila Formosa — Foto: André Penner/AP

Enterro no Cemitério da Vila Formosa — Foto: André Penner/AP

Fonte: G1

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