O valor do interesse público
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“…é preciso enorme entendimento do eleitor da importância do voto…”  

Em tempos de eleições, quando a democracia é exercida em sua plenitude por meio do voto universal direto e secreto, chega o momento do julgamento da atividade pública e um dos raros eventos em que o eleitor tem de fato o poder de decisão por meio da escolha dos nomes apresentados. Considerando que essa importante possibilidade só ocorre a cada dois anos, e a cada quatro anos para escolha dos dirigentes das cidades, é fundamental que haja senso crítico, análise bem fundamentada e critério justo por parte daqueles que de fato farão o julgamento por meio do voto.

Os critérios de escolha devem ser baseados sempre no interesse público, ou seja, no interesse da maioria do povo e não nas conveniências individuais, familiares, de amizade ou de grupos de interesses. Afinal, a democracia prevê que o titular do cargo eletivo seja o governante de todos e não apenas de seus eleitores, de seus correligionários ou financiadores. Sem essas deturpações recorrentes, todos podem ser vencedores neste e nos próximos pleitos, pois o desenvolvimento econômico e social é sempre benéfico à coletividade e não apenas a setores ou pessoas específicas.

Para que o julgamento e a escolha sejam feitos sem interferência dos interesses pessoais é preciso enorme entendimento do eleitor da importância do voto, que só se adquire com boa formação educacional, razoável conhecimento político e muita sabedoria pessoal. Afinal, aqueles que trocam seus votos e fazem julgamentos com base nos interesses pessoais estão condenados a viver como párias, à sombra da sociedade e com suas consciências sempre comprometidas com os desvios da finalidade essencial da administração pública. Portanto, o bom senso e o entendimento da democracia são fundamentais para o seu melhor exercício.

Por outro lado, cabe também aos políticos, principalmente aos candidatos, iniciar o processo de mudança da mentalidade egoísta e individualista de grande parte da população e, consequentemente, dos eleitores. Em vez de oferecer benefícios pessoais, presentes, cargos e prometer vantagens no futuro, cada candidato deve apresentar suas qualificações e provar sua capacidade de atender aos interesses do conjunto da sociedade ou, ao menos, de sua maioria, para assim ajudar a desenvolver uma filosofia coletiva muito mais moderna e formar novas gerações de pessoas interessadas mais no bem comum do que no interesse individual.

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