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Desde os primórdios, o ser humano tende a se reunir em grupos para compartilhar experiências e convivências físicas e espirituais. No processo de evolução da sociedade, a religião ganhou grande importância e serviu como fator de agregação e de suporte aos grupos sociais, bem como esteve acompanhando a evolução dos tempos até a chegada na idade moderna. Um dos exemplos é a Paróquia de São Sebastião, que foi fundada em Palmital pouco depois da emancipação e incentivou a maioria das tradições religiosas que são cultivadas no município até os dias de hoje.

A unidade vinculada à diocese de Assis, que completa 97 anos de fundação nesta terça-feira (12/04), também serve como fonte de informações, pois foi responsável por importantes registros durante as décadas de crescimento da cidade. A instalação da comunidade ocorreu durante o processo de expansão da Igreja Católica no Estado acompanhou os movimentos migratórios registrados desde a segunda metade do século XIX, quando se iniciou o processo de desbravamento do “sertão paulista” por José Theodoro de Souza, que registrou um grande volume de terras e possibilitou que houvesse a vinda dos pioneiros para a colonização da região, incluindo João Batista de Oliveira Aranha, que teria chegado em 20 de janeiro de 1886, data em que se comemora o Dia de São Sebastião.

Em 1910, após a formação do povoado, o proprietário de terras Francisco Severino da Costa, conhecido como Mulato Velho, fez a doação de um terreno no centro do vilarejo para a construção de uma capela em louvor a São Sebastião, onde posteriormente foi erguida a Igreja Matriz. Este foi o marco para a instalação de um patrimônio que evoluiu até se tornar a cidade de Palmital.

Apesar da distância com a Europa, o período entre 1910 e 1920, foi de grande temor da sociedade devido à Primeira Guerra Mundial. Além de acompanhar os desdobramentos do conflito, a população do povoado vivia o temor de que o confronto chegasse ao país e se apegava ainda mais à religião, pedindo a intercessão de São Sebastião como santo protetor contra a guerra, a fome e as pestes.

Os fiéis também oravam por um bom rendimento na agricultura, que na época era caracterizada pelo extrativismo e pelos primeiros estágios da cafeicultura. No pós-guerra, o progresso se intensificou com a chegada da Estrada de Ferro Sorocabana, cujos trilhos passam próximo da Matriz, e fez com que a estação da cidade se tornasse importante de ligação com a capital paulista.

Após 1920, quando houve a emancipação de Palmital, a igreja da cidade ainda estava sob a administração da Paróquia de Campos Novos Paulista, que enviava padres para celebração de missas. Um deles, Nicephoro, foi um dos envolvidos na chachina de dezembro 1922, que foi um dos principais crimes políticos da história do Estado e foi o desfecho trágico da disputa em que o grupo de Cândido Dias de Melo assassinou o coronel José Machado e outras seis pessoas.

Após a repercussão do caso, houve a nomeação do padre José Martins para atuar exclusivamente na cidade. O religioso, que chegou em 22 de fevereiro de 1923, encontrou a área da capela em completo abandono e a comunidade cristã afastada dos compromissos religiosos. Além de recuperar o patrimônio da Igreja, padre Martins desenvolveu um trabalho para recuperar a religiosidade da população que teomou a participação em celebrações e missas.

O vigário também fez campanha para aquisição de ornamentos e paramentos para a capela, incluindo a imagem de São Sebastião, duas estátuas do Sagrado Coração de Jesus e outras duas de Nossa Senhora Aparecida. Por meio de decreto do bispo Dom Carlos Duarte da Costa, da Diocese de Botucatu, houve a instalação da nova paróquia em 12 de abril de 1925, um Domingo de Páscoa, nomeando o padre Martins como o primeiro pároco.

A Paróquia de São Sebastião passou a pertencer à Diocese de Assis somente em novembro de 1928, quando o Papa Pio XI decretou o desmembramento da Diocese de Botucatu, com administração apostólica de dom Carlos Duarte. Sua área de abrangência estava demarcada entre o rio Paranapanema, na Água do Pau D’Alho, e se estendia até a Água do Brejo, atravessando os territórios da Água do Aranha e do rio Pary.

O padre Martins, que se tornou muito querido da população, morreu em 4 de setembro de 1930, aos 45 anos, sendo sepultado no Cemitério Municipal de Palmital. Em sua homenagem, houve seu nome denomina atualmente uma das principais ruas do centro da cidade. Seus familiares, incluindo a sobrinha-neta e vice-prefeita Ana Elias Martins Elias da Silva, ainda residem em Palmital.

MATRIZ É O PRINCIPAL SÍMBOLO DO CATOLICISMO NA CIDADE

Em seus primeiros estágios de desenvolvimento, a Paróquia de São Sebastião, sob o comando de padre Martins, buscou formação dos católicos nos sacramentos e a construção da igreja, que adota elementos da arquitetura gótica. Após o registro definitivo da área doada por Francisco Severino da Costa, houve o início da construção da Matriz, cuja pedra fundamental foi lançada em 7 de junho de 1927, possibilitando o início das obras em alvenaria.

Após a morte do primeiro pároco, Palmital teve a passagem de outros padres, como Carlos Fuchs e Francisco Pruna, que mantiveram as obras na igreja e receberam apoio da prefeitura para a primeira reforma da praça da Matriz, em 1933. No período, quando a igreja ainda não tinha torre, foram realizadas as primeiras Missões Populares, pelo Padre Vitor Coelho e a fundação da Congregação Mariana.

Em 1935, com a chegada do padre Antônio Velasco Aragón, houve importantes transformações na paróquia, com a compara do relógio para a Matriz, a instalação do Altar-Mor em mármore (considerado na época uma das mais belas obras de arte sacra da região) e a aquisição do terreno no bairro Paraná para a construção da Igreja de Santo Antônio. O religioso também fortaleceu os trabalhos pastorais e os grupos católicos, ficando na cidade até 1942.

O padre Inocente Osés assumiu o comando da Paróquia e foi o responsável pela conclusão da Matriz, que tinha a nave central e a torre com relógio e sino. Após 1964, ele foi substituído pelo padre Júlio Vittori e pelo o vigário Padre Mario Rosetti (italiano). Durante o trabalho, que deu os atuais contornos à obra, os padres atenderam solicitação da comunidade católica e conseguiram autorização da Diocese para fazer uma reforma na Matriz, com a ampliação das laterais para aumentar a capacidade da igreja em receber fiéis. Nesta obra, houve o desmanche do altar-mor, cujas peças de mármore se perderam com o tempo e não se sabe que fim levaram.

Nos anos 60 e 70, em pleno regime militar no Brasil, com as reformas do Concilio Vaticano II, a história da paróquia São Sebastião chegou ao status de uma das maiores comunidades da Diocese devido ao processo de ampliação na zona urbana e rural, incluindo as igreja de São Vicente (Asilo) e de São José, além de diversas capelas construídas em bairro rurais para atender aos moradores do campo. Posteriormente, houve a construção das igrejas de Santo Afonso (década de 1990) e São Francisco de Assis (década de 2000), na região do São José. Em novembro de 2013, a Diocese de Assis criou a Paróquia de Santo Antônio, no bairro Paraná, que inclui as comunidades católicas ao Sul do município. A igreja de Nossa Senhora de Fátima foi inaugurada em 2019 na região do Montreal.

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