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“…autoridades de Cândido Mota conseguiram levar o asfalto até a zona urbana daquela cidade, enquanto as de Palmital defenderam a manutenção do trajeto pela zona rural…”

 

O planejamento, a visão de futuro e a estratégia são essenciais para o sucesso ou o fracasso do desenvolvimento de uma cidade ou região. A distância dos grandes centros e a vocação empresarial também ditam regras, mas com criatividade e sem cometer erros é possível contornar essa condição peculiar às cidades do Vale do Paranapanema, todas entre 400 e 650 quilômetros de São Paulo e com suas economias baseadas na agropecuária. Mais do que conquistar espaço ou conseguir recursos, o melhor caminho é evitar equívocos.

Entre as principais dificuldades são os erros crassos, quase primários, cometidos pelas seguidas administrações, pois uma falha grave pode atrasar qualquer projeto de desenvolvimento, mesmo que seja de longo prazo. Para ficar no exemplo de Palmital, citamos aqui a experiência deste jornalista, que, quando funcionário do departamento de comunicação da antiga Telesp, nos anos de 1980, presenciou a criação das áreas de DDD, com seus respectivos códigos, e as reivindicações das cidades para permanecer nas mesmas regiões de polos maiores, principalmente de São Paulo. Também as cidades polos econômicos regionais reivindicaram a manutenção de cidades menores em suas áreas.

Verificando o mapa da divisão das áreas, constatei que Palmital seria bastante prejudicada, pois além da divisa com o Paraná, para o qual já se usava chamadas interurbanas, a nova divisão deixava dois municípios da Comarca: Ibirarema e Campos Novos, com outro código de discagem. Em contato com autoridades municipais da época, sugeri que fosse apresentado pedido formal à empresa de telefonia para manter as quatro cidades da Comarca no mesmo código de área, mas por falta de entendimento ou de boa vontade não houve interesse, o que distanciou Ibirarema e Campos Novos de Palmital devido à comunicação mais cara.

Na época da construção das hidrelétricas de Canoas, foi projetada uma rodovia pavimentada ligando as duas usinas, mas as autoridades de Cândido Mota conseguiram levar o asfalto até a zona urbana daquela cidade, enquanto as de Palmital defenderam a manutenção do trajeto pela zona rural, perdendo assim a melhoria da ligação entre as duas cidades. O último grande erro foi a localização do pedágio, que construído entre Palmital e Ibirarema encareceu o intercâmbio entre as cidades, pois o acesso de Campos Novos também foi prejudicado. E, assim, de erro em erro, continuamos pagando a conta do baixo índice de desenvolvimento.

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